Goleira defende dois pênaltis e garante à Alemanha o sexto título seguido da Euro feminina

Goleira defende dois pênaltis e garante à Alemanha o sexto título seguido da Euro feminina

Apesar de uma participação não tão dominante como outrora, as alemãs seguem superiores nos momentos decisivos (Foto: Reprodução/Getty Images)

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Thiago Ienco
AlemanhaAngerer; Maier, Krahn, Bartusiak, Cramer; Kessler, Goessling; Lotzen (Mittag, min. 46), Marozsán, Laudehr (Schmidt, min. 77); Okoyino da Mbabi
NoruegaHjelmseth; Mjelde, Ronning, Christensen (Kaurin, min. 85), Akerhaugen; Gulbrandsen (Thorsnes, min. 68), Stensland (Isaksen, min. 76), Dekkerhus; Hansen, Hegerberg e Hegland
Placar1-0, min. 49, Mittag.
ÁRBITROCristina Dorcioman (Romênia) - Advertida: Krahn (min. 70)
INCIDENCIASEurocopa Feminina - Suécia 2013 - 41.301 espectadores - Friends Arena - Solna

Com Nadine Angerer defendendo dois pênaltis na mesma partida, a Alemanha conquistou seu sexto título seguido da Eurocopa feminina ao derrotar a Noruega por 1 a 0 neste domingo (28), na final realizada na Friends Arena, em Solna (Suécia). Diante de mais de 40 mil espectadores - um recorde na história da competição -, as alemãs novamente mostraram a força de sua escola futebolística mesmo após performances pouco convincentes em parte da edição 2013. No total, elas possuem oito títulos em onze edições do torneio continental. Dos três que sobraram, a Noruega possui dois e a Suécia um. Esta também foi a quarta final (1989, 1991, 2005 e 2013) de Euro entre germânicas e escandinvas - com as primeiras vencendo todas elas.

E foi justamente sob o comando de Even Pellerud que as norueguesas conquistaram seu último título de Euro, em 1993. Reeditando essa parceria, a Noruega chegou à final após ficar em primeiro no grupo B - que, curiosamente, continha a Alemanha. No mata-mata, eliminou Espanha e Dinamarca. Como treinadora da Alemanha, nada mais nada menos que Silvia Neid, que como jogadora esteve nas conquistas de 1989, 1991 (foi eleita a melhor jogadora desta edição) e 1995. Neid perdeu várias titulares por lesão e foi obrigada a chamar diversas jogadores jovens, formando um plantel com média de idade de 23.5 anos. A equipe titubeou no grupo B ao avançar em segundo, mas no mata-mata, eliminou a forte Itália e a anfitriã Suécia.

Para a final, a única dúvida alemã foi a atacante Célia Okoyino da Mbabi, que contando com a fase de qualificação, tinha 19 gols em seu currículo. Sucessora de Birgit Prinz na linha de frente alemã, da Mbabi sofreu uma lesão na parte posterior da coxa e não jogou a semi-final, mas voltou a campo neste domingo. Já a Noruega não tinha problemas de lesão. Apenas muito cansaço após 120 minutos mais cobranças de pênaltis diante da Dinamarca na quinta-feira. Pellerud optou por mudar o time. A meia Cathrine Dekkerhus, de apenas 20 anos, entrou no lugar de Ingvild Isaksen.

Logo no primeiro minuto, a Alemanha assustou em uma cabeçada de Leonie Maier após cobrança de falta do meio de campo. Foi o indício para constatar que as alemãs queriam balançar as redes o quanto antes. Okoyino da Mbabi se movimentava incessantemente, infernizando a vida das zagueiras Trine Ronning e Marit Christensen. Aos oito, Ingrid Hjelmseth trabalhou bem pela primeira vez em chute rasteiro de Lena Lotzen de fora da área. 

A transição para o ataque da Noreuga era ruim, especialmente por conta da marcação implacável das volantes alemãs nas meias norueguesas. Sem opção de passe, o chutão acabou virando a alternativa, o que facilitou a vida das fortes e altas zagueiras alemãs. O jovem trio ofensivo composto por Caroline Graham Hansen, Ada Hegerberg e Kristine Hegland não conseguia se aproximar, dificultando as tabelas e jogadas em velocidade. Pragmática, a Alemanha quase balançou as redes em cabeçada de da Mbabi passando à esquerda do gol de Hjelmseth.

No entanto, em uma rara presença na área adversária, Dekkerhus foi derrubada por da Mbabi na área. A marcação gerou polêmica, mas que no fundo, não foi necessária, já que Nadine Angerer defendeu com o joelho direito a cobrança de Ronning. Foi o primeiro grande momento da arqueira que sucedeu Silke Rottenberg nos postes e buscava sua quinta medalha de ouro em Euros.

Na segunda etapa, a Noruega voltou melhor em termos ofensivos, mas seguia com dificuldades para criar chances claras. Também preocupada com a falta de sequência das jogadas pelo lado direito, Neid optou por voltar com Anja Mittag no lugar de Lotzen. A substituição se mostrou uma grande cartada aos quatro minutos. Em seu primeiro toque na bola, Mittag desviou o cruzamento de da Mbabi para o fundo das redes, abrindo o placar.

Se como zero a zero já era díficil, correr atrás do resultado diante de uma Alemanha extremamente disciplinada e organizada em todos os setores se tornou uma árdua tarefa. Tanto que a Noruega quase sofreu dois gols em sequência, com Stensland e Toril Akerhaugen afastando duas bolas em cima da linha, ambas em cabeçadas de da Mbabi. Mas assim como no primeiro tempo, a Noruega teve a chance de marcar quando sofria para atacar. Hansen foi derrubada por Saskia Bartusiak e a árbitra romena Cristina Dorcioman assinalou nova penalidade.

Após perder o primeiro pênalti, Pellerud trocou a batedora e Gulbrandsen foi para a marcal do cal. O resultado, porém, ficou na mesma. Incrivelmante, Angerer defendeu o segundo pênalti na mesma partida. Algo que, curiosamente, não é inédito na Euro 2013. Em Suécia 1 x 1 Dinamarca, Stina Petersen também defendeu duas cobranças.

Hegerberg chegou balançar as redes aos 19, mas não foi o suficiente para uma grande pressão da Noruega surgir, nem mesmo com as ousadas substituições. A resposta a isso foi bem representada pela volante Nadine Kessler, que acertou uma a bola na trave já próximo dos acréscimos. Pelo que o a partida mostrou, ninguém perde dois pênaltis numa final diante da Alemanha saindo dela impune.

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