Franco Tancredi, 62 anos: baixinho e lendário goleiro da Roma que foi ressuscitado no San Siro
Foto: Divulgação/Roma

Uma peça fundamental de um clube que marcou os anos 80 no futebol italiano. Um goleiro que, ao lado de Paulo Roberto Falcão, deu um campeonato italiano e quatro Copas da Itália para a Roma. Franco Tancredi, que completa 62 anos nesta terça-feira (10), até morreu e ressuscitou com a camisa do clube da capital. Tanto fez nestas 13 temporadas nos Giallorossi, que entrou no hall da fama da equipe, em 2012.

O respeitado goleiro atuou em 288 jogos pela Roma, além de também ter servido a seleção italiana por 12 vezes, entre 1984 e 1986. Tancredi foi imortalizado nos Giallorossi após ter conquistado a Serie A da temporada 1982/83, o segundo da história do clube da capital. O ex-goleiro também é lembrado pelo dia que foi ressuscitado no meio do gramado do San Siro, após ser atingido por um rojão e ter tido uma parada cardíaca, sendo reanimado pelos médicos da Roma.

Títulos, defesas e renascimento, o pequeno goleiro Tancredi, de apenas 1,76 de altura, é um grande ídolo para os torcedores romanos. Em 2012, todo seu trabalho nos Giallorossi valeram a pena quando entrou para o hall da fama do clube, sendo eternizado como um dos maiores atletas da história do clube da capital.  

O começo da carreira

Explosivo e de baixa estatura, Tancredi nasceu no dia 10 de janeiro de 1955, em Giulianova, onde começou sua carreira como goleiro no próprio clube da cidade. Os problemas de altura não atrapalharam o goleiro de virar profissional, que por um sinal do destino, os Giuliesi tinham as mesmas cores da Roma, clube em que Tancredi iria entrar para a história.

O Giulianova da temporada1972/73, Tancredi é o primeiro na linha do meio | Foto: Divulgação/Giulianova
O Giulianova da temporada1972/73, Tancredi (de preto) é o primeiro na linha do meio | Foto: Divulgação/Giulianova

Jogou a Serie C pelo Giulianova, que no qual fez uma grande campanha sob o comando de Giovan Battista Fabbri, considerado o melhor treinador da história do pequeno Giulianova, que confiou em Tancredi e o lançou como titular absoluto na temporada 1972/73. O goleiro se destacou na Serie C e chamou a atenção do Milan, não demorando para tirá-lo dos Giuliesi, em 1974.

Na equipe rossonera, o jovem Tancredi ficou na reserva, atuou apenas em três partidas da Copa da Itália nas duas temporadas em que permaneceu em Milão. Em contrapartida, o goleiro de 20 anos pegou muita experiência com os veteranos Enrico Albertosi e PierLuigi Pizzaballa. Em 1977, trocou o Milan pelo Rimini, onde fez grande temporada na Serie B. As boas atuações chamaram a atenção da diretoria romana, resolvendo contratar Tancredi, até então com 23 anos, para ser reserva do também lendário Paolo Conti, que era reserva de Dino Zoff na seleção italiana.  

A era Lindholm na Roma: Consagração de Tancredi e os títulos

Após duas temporadas no banco de reservas de Paolo Conti, em 1979 chega à Roma o técnico sueco Nils Liedholm, ex-jogador do Milan, um dos maiores da história dos rossoneri. Só jogando Copa da Itália e amistosos, a estreia de Tancredi na Serie A com a Roma veio finalmente no dia 28 de janeiro de 1979, na partida contra o Hellas Verona, substituindo Paolo Conti no intervalo do jogo.

O até então titular Conti, passa por uma grande crise, tendo o técnico Liedholm ter que apostar em Tancredi. A partir daí ele não saiu mais, pois jogou como titular 258 partidas seguidas, sem ser substituído, marca que é superada apenas por Dino Zoff, que é o recordista com 332 jogos seguidos. A sequência de Tancredi foi do dia 27 de abril de 1980 até 29 de janeiro de 1989.

Aconteceu muita coisa nestas 258 partidas. No dia 17 de maio de 1980, veio o primeiro título e a consagração de Tancredi. O goleiro da Roma foi decisivo nas penalidades, ao pegar três pênaltis, vencendo o Torino e conquistando a Copa da Itália daquele ano. Mesmo com apenas 1,76, Tancredi mostra muita elasticidade, agilidade e frieza.

Na temporada seguinte, outra Copa da Itália conquistada, mais uma vez nos pênaltis, mas esta foi fora de casa e contra a Juventus, no dia 17 de junho de 1981. Tancredi pegou dois pênaltis do time Bianconeri e foi decisivo para o título. Na temporada 1982/83, a sólida equipe da Roma finalmente voltou a conquistar a principal divisão do futebol italiano após quase 40 anos. Junto com Paulo Roberto Falcão, os Giallorossi deram show na Serie A e venceram de forma unânime. Em 1983/84 e 1985/86, mais duas Copas da Itália conquistadas, chegando a quatro Copas.

Tancredi com Superchi e Falcão, celebrando o título italiano de 1983 | Foto: Getty Images
Tancredi com Superchi e Falcão, celebrando o título italiano de 1983 | Foto: Getty Images

No ano seguinte, em 1984, Tancredi estreou na seleção italiana, mas como reserva de Giovanni Galli. O arqueiro foi convocado por Enzo Bearzot para a Copa do Mundo de 1986, mas o goleiro romano não despontou com a camisa Azzurra, atuando apenas em 12 partidas.

Os rojões que quase mataram Tancredi

No dia 13 de dezembro de 1987, é daqueles que Tancredi jamais irá esquecer na sua vida. Roma e Milan estavam se enfrentando no San Siro, a partida estava 0 a 0, e no segundo tempo, durante uma bola parada da Roma no campo de ataque, repentinamente há um grande barulho e clarão no campo defensivo romano. Um rojão lançado pela ultras do Milan, atingiu o joelho de Tancredi, que caiu no chão pedindo ajuda.

Alguns segundo depois, já no chão, outro rojão é lançado pelos torcedores do Milan, mas este explode no peito de Tancredi, deixando-o inconsciente. Tonino Tempestilli, zagueiro da Roma e que na hora era o mais próximo de Tancredi, disse: "Ele parecia morto". Virado de lado e imóvel, o médico romano Alicicco e o massagista Marinucci, reparam que o goleiro está tendo uma parada cardíaca, imediatamente os médicos fazem massagem cardíaca no goleiro e respiração boca a boca. Milagrosamente, o coração de Tancredi volta a bater, mas o jogador fica 20 minutos inconsciente. Ele foi levao do hospital San Carlo, em Milão, e sai na mesma noite, bem melhor, mas ainda atordoado.

O fim de carreira no Torino

 Aos 35 anos, na temporada 1989/90, ainda na Roma, Tancredi estava na reserva de Giovanni Cervone, goleiro que havia se destacado pelo Hellas Verona na temporada anterior. No verão de 1990, Tancredi deixa a Roma após 13 temporadas, assina um contrato de um ano com o Torino. Vestindo a camisa 12, Tancredi é novamente reserva na equipe de Turim, sendo opção do até então jovem promissor Luca Marchegiani.

No dia 24 de fevereiro de 1991, no jogo entre Torino e Roma no Olímpico, mesmo no banco de reservas da equipe de Turim, Tancredi recebe uma calorosa saudações de boas vindas por parte dos torcedores Giallorossi, que não paravam de cantar e aplaudir. Ao final do jogo, ele disse em uma entrevista: "O bem-vindo me mudou. Eu estava tão animado que eu desejava não ter que entrar. Sou um giallorossi para a vida e hoje eu sou o homem mais feliz do mundo", disse.

A carreira de treinador de goleiro e a traição na Roma

Após encerrar a carreira como jogador, Tancredi voltou a Roma para começar a ser treinador de goleiro. Ficou na equipe da capital entre 1992 até 2004. Até que o ex-goleiro segue Fabio Capello na Juventus e é ingressado na comissão técnica da Juventus. A saída repentina e silenciosa de Tancredi deixou os torcedores da Roma furiosos, virando as costas para o ex-goleiro.

Tancredi voltou ao estádio Olímpico somente em 2006, quando a Roma completou 80 anos de história. Ao ser anunciado, foi recebido por vaias, tendo algumas semanas mais tarde falado a verdade sobre sua saída: "Eu não explicou as razões para minha escolha, nem com os meus amigos em Roma, nem ao público. Não parecia o tempo, as circunstâncias eram particulares. Eu escolhi para sair, e ninguém poderia me culpar, mas eu fiz isso em silêncio e isso foi um erro que, então, eu me arrependi . Infelizmente é parte do temperamento que tenho. Ter feito isso, me tranca no meu próprio silêncio e eu olho para a frente. Eu disse, eu estava errado, eu não falava nem com meus amigos da Roma", admitiu.

Tancredi, treinador goleiro da Roma, com Cervone | Foto: Divulgação/Roma
Tancredi, treinador goleiro da Roma, com Cervone | Foto: Divulgação/Roma

Alguns perdoaram outros não, mas foram 27 anos dedicados somente a Roma, como jogador e treinador de goleiros. Na Juventus permaneceu de 2004 até 2006, posteriormente virou treinador de goleiros da seleção inglesa, de 2007 até 2012. Na temporada 2011/12 voltou para a Roma, mais uma passagem, mas os treinos de Tancredi não agradaram o goleiro holandês Stekelenburg, tendo Tancredi sido afastado do cargo. Ele ainda recusou seguir Fabio Capello na seleção russa, permanecendo em Roma, sem clube. Até que na temporada passada, chamado por Christian Panucci, voltou ao cargo de treinador de goleiros no Livorno, posteriormente indo ao Ternana

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