Marcelo manifesta vontade de permanecer no Real Madrid: "Tenho uma história incrível"
Foto: Antonio Villalba/Real Madrid CF

O lateral-esquerdo do Real Madrid e da Seleção Brasileira Marcelo participou de uma transmissão ao vivo em uma rede social com o ex-zagueiro italiano Fabio Cannavaro durante a última sexta-feira (1º). Os dois foram companheiros de clube entre 2007 e 2009. Enquanto Marcelo ainda permanece no Real, Cannavaro agora trabalha como técnico do Guangzhou Evergrande, da China. Muitos temas foram abordados, mas o clube espanhol foi o principal ponto da conversa.

A fala mais repercutida ocorreu quando foi questionado sobre sua permanência no Real Madrid. Sem estar no auge como em anos anteriores, Marcelo figurou em boa parte da temporada no banco de reservas. Algumas informações da imprensa europeia relataram um possível interesse do jogador em atuar na Juventus, ao lado de Cristiano Ronaldo. Porém, isso foi veementemente negado e o lateral disse estar bem e habituado à rotina na cidade e na equipe.

“Eu não quero sair e acho que o Real Madrid não me deixaria. Estou muito bem em Madrid desde que cheguei com minha família. Faz muito tempo e tenho uma história incrível. Parece bom para mim que existem times que me amam, não sei se a Juventus. Há dois anos, eu já havia assinado com eles e tinha vestido a camisa porque não sabia como viver sem Cristiano Ronaldo. As pessoas inventam muitas coisas. Acho bom que os fãs me enviem boas mensagens”, disse.

Marcelo fez uma avaliação de três jogadores que ainda estão no começo de sua trajetória no Real Madrid: Hazard, Vinícius Júnior e Rodrygo. O jogador de 31 anos elogiou pontualmente todos os citados, com características precisas de cada um, principalmente dos brasileiros.

“Eu acredito que Hazard está bem. A lesão apareceu na perna que ele já tinha um problema. Ele é muito superior a isso, a velocidade com que ele faz as coisas é muito diferente do resto. Ele estava bem, mas a lesão foi uma pena. Agora ele vai voltar. Vinícius Júnior é uma explosão total, tem um drible incrível. Você pode ver que ele vem do futsal, com velocidade, e a bola o mantém preso. Lembra o Robinho, mas ele tem muito mais velocidade. Rodrygo é calmo, parece que joga há dez anos, é inteligente. Eu digo a eles para terem calma, seu tempo chegará. Agora toque a bola para Benzema, que marca os gols”, comentou.

Outro ponto conversado entre Marcelo e Cannavaro foi a chegada do técnico Zinédine Zidane ao Real Madrid em sua primeira passagem, em substituição a Carlo Ancelotti. A princípio, o lateral-esquerdo desconfiou que Zizou pudesse fazer um bom trabalho pelo elenco repleto de personagens de muito peso, mas afirmou que trabalho e humildade foram suficientes para melhorar o bom trabalho que Ancelotti tinha feito na equipe merengue.

“As pessoas pensavam que ele não podia lidar com o vestiário do Real Madrid com tantos jogadores de peso e isso foi incrível. Quando ele chegou, estávamos em um momento muito difícil, não ganhávamos quase nada. Com trabalho e humildade, apenas isso, entendendo os jogadores, conseguimos muito. Nós não esquecemos o grande trabalho anterior que Ancelotti fez”, continuou.

O jogador também admitiu que fica nervoso ao conversar com Roberto Carlos, antecessor de Marcelo tanto no Real Madrid como na Seleção Brasileira. Para o brasileiro, Roberto Carlos é sua inspiração e seu estilo de jogo era bastante admirável. Também falou sobre a questão que vai durar por várias gerações: quem é melhor entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi?

“Sempre que falo com Roberto Carlos fico muito nervoso. Ele é meu ídolo. Desde que comecei a jogar futsal, prestei muita atenção nele. Pensava em como ele frequentemente poderia estar no ataque e na defesa. Sobre Cristiano e Messi, não se pode dizer quem é o melhor. Eu joguei dez anos com Cristiano Ronaldo e a motivação que ele te dá dentro de campo é única, como ele te anima. Messi é mais parado e do nada constrói um gol”, falou.

Na conclusão da conversa, Marcelo comentou com Cannavaro como está sua rotina em tempos pandêmicos de coronavírus. A Espanha é o segundo país no mundo com mais casos confirmados da doença – 245.567 até o momento, atrás dos Estados Unidos – e o terceiro com mais óbitos – 25.100, superado pela Itália e pelos Estados Unidos.

“Eu só saio uma vez por dia com meus quatro cães. As pessoas aqui estão respeitando muito, mas tem sido muito difícil. Infelizmente há muitas mortes. Tem que ficar em casa, agora sair um pouco nas horas que deixam. As pessoas não esperavam que fosse tão difícil. O mundo parou e o momento é muito complicado. Mas, ficando em casa vi coisas que posso fazer, estar mais com minha família, ler livros e fazer medicação, que eu nunca tinha feito na minha vida. Não paro por um minuto, estou sempre correndo. Tento parar por alguns minutos para pensar e relaxar. É difícil para mim porque não posso estar parado”, concluiu.

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