Cuca se justifica aos torcedores e rebate críticas: “Não saio porque acredito que o
trabalho vai vingar”

Horas depois da maior torcida organizada do Palmeiras divulgar sua insatisfação com o comando técnico, Cuca quebrou o protocolo e pediu a palavra em entrevista coletiva, que até então, estava programada para o lateral Jean.

O treinador explicou que precisava se colocar na frente de seus jogadores em um momento como esse e veio a público para responder o apelo de seus torcedores: “Eu ainda não saí e não saio porque confio que o trabalho vai vingar. Acredito ainda que esses jogadores vão fazer grandes jogos e atingir a Libertadores no ano que vem. O Palmeiras vai se recuperar e vai disputar no ano que vem sua terceira Libertadores consecutiva. Confio nos jogadores”.

A torcida faz protesto pede para eu sair, como pediu a saída do Alexandre (Mattos, diretor de futebol) outro dia. Eu falo aqui para a torcida: eu não saio. Fico até o fim. Seria fácil sair daqui e ir embora, cuidar da minha netinha. Mas não saio. Amo o futebol. Ontem, vocês me tinham como o segundo melhor treinador do país. Hoje, me acham o segundo pior. Não sou o melhor e nem o pior. Mas o momento não é bom. Mas vamos fazer as coisas acontecerem. Estamos trabalhando para isso”.

Cuca rechaçou o imediatismo da torcida  e afirmou que não jogará a toalha  “Ontem vocês me tinham como segundo melhor treinador do país, hoje talvez seja o segundo pior. Mas na minha cabeça eu sou o mesmo que estava balançando a bandeira no trio elétrico ano passado. As coisas não estão acontecendo, mas vão acontecer. Os jogadores estão se doando ao máximo, não está acontecendo por outros fatores, talvez falta de confiança. Estou aqui de peito aberto para falar o que sinto. Não é fácil o Palmeiras em turbulência, é muito fácil jogar a toalha, mas eu não jogo. Vou reverter com os jogadores, com o Alexandre, com o presidente. Tem tristeza, mas não tem abatimento de ninguém”, declarou Cuca.

Mais cedo, um pouco antes de iniciar o treino desta tarde, o comandante reuniu todos os jogadores em um dos campos do centro de treinamento para uma conversa, em um momento em que toda a imprensa já estava presente. O mesmo descreveu a ocasião: “O que falei (para os jogadores) foi o que estou falando aqui. Jogador tem de ter tranquilidade para jogar. Está faltando isso. E isso só vem com o resultado e os treinamentos”.

Eu tenho um ambiente bom com eles, adoro estar junto deles. Não tenho nenhum jogador que possa dizer que não gosto. E acho que nenhum deixa de gostar de mim. Um pode gostar mais, por jogar, mas o ambiente é bom. Não podemos falar que o ambiente não é bom, que jogador está fazendo corpo mole, não é verdade. Se os resultados não vieram nos últimos jogos, não é por isso. Eu seria o primeiro a falar”, disse o técnico.

O comandante palmeirense aproveitou e explicou a situação do volante Felipe Melo, afastado por ele e que vem treinando separado dos demais jogadores: “O que eu fiz com o Felipe foi uma situação que, no momento, eu entendi como a mais cabível possível, não foi nada pessoal. Isso não cabe mais a mim resolver, mas sim para a diretoria. Vida que segue. Vamos tentar o máximo possível para as coisas irem melhor para o Palmeiras. O teor de vir aqui hoje é que não adianta achar um culpado. Se tivesse, era só tirar, pronto, acabou. Não é o presidente, Cuca, Alexandres, somos todos nós juntos. Só assim que vamos sair. Se tivermos a dor um do outro. A gente tem que estar junto, unidade”.

Com isso, Cuca também foi perguntado sobre as críticas direcionadas  a diretoria do clube: “A gente tem ouvido questionamentos ao longo destes dias todos, de quem é a culpa? Do presidente, que ficou 15 dias fora com a Seleção? Não é. Se ele saiu é porque confia no diretor de futebol e no treinador que tem. Ele aqui não ia mudar nada, não é ele quem dá o treino. Muita gente ouve falar que a culpa é do dirigente porque ele contratou errado, isso ou aquilo, algumas coisas até perigosas de falar, colocando em xeque a honestidade do Alexandre Mattos, que é íntegro, que só faz o bem para os clubes que passa. Eu confio no que ele faz. Tirando o presidente e Alexandre, sobra uma responsabilidade maior para o treinador”.

Depois da eliminação da Libertadores, o que restou para o Verdão foi o Campeonato Brasileiro e Cuca comentou que espera no final da temporada: “Nós vamos buscar a vaga para a Libertadores, ela pode ser do quarto ao primeiro, que é mais difícil. A gente indo direto, pensando no primeiro lugar, é uma preparação que tem. É a terceira Libertadores seguida. Quem sabe ir buscar o título. Lamentamos ser eliminados. Não fizemos um jogo bom no Equador, isso nos custou”.

Amanhã (23) o técnico comandará mais um treino, desta vez fechado para a imprensa, em preparação para o clássico contra o São Paulo que acontece no domingo (27) ás 16h, um dia após o 103º na aniversário do clube, no Allianz Parque.

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