Técnico campeão com Atlético-MG, Procópio Cardozo relembra conquista da Copa Conmebol
Foto: Arquivo/Centro Atleticano de Memória

Quando se comenta sobre Procópio Cardozo como treinador, a carreira e as melhores passagens dele estarão ligadas ao Atlético-MG. Não é à toa que o ex-zagueiro esteve seis vezes no comando técnico do Galo, e sempre com boas recordações. 

Em 1992, Procópio foi figura fundamental para que o Atlético conquistasse a Copa Conmebol daquele ano. Ele retornou ao clube após sete anos. A última vez que tinha comandado o Galo foi em 1985. E ele fala aqui, na VAVEL Brasil, como surgiu o convite para retornar ao Galo. 

"Estava em Belo Horizonte, e recebi um telefonema quase meia-noite do Afonso Paulino, na época, presidente do clube. Ele me convidou para conversar e rapidamente acertamos. Não cheguei a pedir nenhum jogador para o elenco, pois todos já estavam inscritos", disse.

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Antes da Copa Conmebol, o Atlético havia feito um primeiro semestre irregular, onde fracassou no Brasileirão e também na Copa do Brasil. Procópio relata destaca o que foi feito no elenco para que o time se tornasse competitivo para disputar o torneio.

"Nós tínhamos um grupo muito jovem. Alguns veteranos haviam saído do Atlético e outros jovens foram contratados antes da minha chegada. Treinamos muito, apesar de ser um torneio muito rápido, mas montamos um bom time, competitivo, e os atletas estavam muito interessados em ganhar a Conmebol", relembrou.

Apesar de o elenco ter passado por uma pequena reformulação antes da Copa Conmebol, alguns jogadores ficaram para a sequencia da temporada. Procópio relata alguns jogadores que tornaram-se importantes durante a competição.

"O Atlético tinha uma dupla que se encaixava muito bem: Moacir e Éder Lopes. Alinhavam-se muito não só na saída de jogo, como também na marcação. Sérgio Araújo muito rápido na ponta-direita, o Claudinho aberto pela esquerda, mas que ajudava na recomposição. O Ailton mais centralizado e a aproximação do Negrini pelo meio. Teve outros dois que eram experientes que são Alfinete e Luiz Eduardo. O Ryuler era jovem, mas valente demais. O Paulo Roberto Prestes com a faixa de capitão, sem esquecer-se do João Leite", contou.

O Atlético eliminou Fluminense, Junior de Barranquilla-COL e El Nacional-EQU antes de encarar o Olímpia-PAR na grande decisão. Ao comentar sobre a primeira partida contra os paraguaios, Procópio destaca um ponto importante e que fez a diferença na grande final.

"Aqui no Mineirão foi uma partida muito boa. Fizemos um grande jogo, saímos com 2 a 0, dois gols do Negrini. E tem uma coisa que pouca gente sabe. O Amarilla, que era um atacante muito bom, muito técnico do time do Olímpia, brigou feio com o Roberto Perfumo, treinador do time paraguaio aqui em Belo Horizonte, e não jogou contra o Galo na última partida. 

No segundo jogo, tivemos uma surpresa logo de cara. A ideia era jogar no Defensores del Chaco, um campo maior e mais estável. Mas a direção do Olímpia levou a partida para o Manuel Ferreira. Um estádio acanhado. Quando fomos fazer o reconhecimento do gramado, tinham 10 mil torcedores jogam pedras na gente. Durante a partida, queria ressaltar que o juiz da partida, Ernesto Filippi fez a melhor partida que vi um árbitro estrangeiro apitar fora do Brasil. Foi honesto, e correto nas decisões. E seguramos nosso adversário até o fim, quando eles fizeram um gol faltando segundos para acabar a partida".

Por fim, Procópio comenta a importância do torneio, não só para os jogadores, como também para ele, pois, o treinador estava na terceira passagem pelo Atlético e conquistava, naquela ocasião, o quarto título pelo clube.

"Nós sabíamos da importância desse título, e ele era levado muito sério pelos clubes que disputavam e pela Confederação Sul-Americana. Quando chegamos em Belo Horizonte, foi uma festa incrível da torcida. Muita gente recepcionando os jogadores. E para mim foi muito bacana, pois foi o quarto título que ganhei pelo Atlético", encerrou.

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