700 vezes Magrão: De desconhecido ao patamar de ídolo
Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Magrão completa nesta quarta-feira (21) 700 jogos com a camisa do Sport. Por isso, a VAVEL Brasil homenageia essa marca tão importante na carreira do jogador e história do clube. Do anonimato ao patamar de ídolo, considerado por muitos o maior jogador que já vestiu a camisa do Sport Club do Recife. São 13 anos dedicados ao clube, com nove títulos conquistados. E, em 2018, o paredão pode se tornar o atleta mais vencedor do clube, superando Leonardo, atualmente, ambos estão empatados. 

A chegada de um desconhecido

Em 2005, o técnico Zé Teodoro apostou em um goleiro vindo do interior de São Paulo. Para Magrão, o Sport estava sendo sua ultima chance na carreira, se não desse certo no rubro negro, penduraria as luvas, pois no ex clube, passava por uma fase difícil sem salários e reconhecimento. Então, Alessandro Beti Rosa chegou ao Recife, desembarque tranquilo. Apenas um torcedor esperava-o e mais alguns veículos da imprensa pernambucana. Olhos atentos e sorriso tímido, é assim que ele aparece em sua primeira foto como jogador do Sport, ainda no aeroporto.

No dia 27 de maio de 2005, o paredão pôde estrear com a camisa do Leão. Era noite, Série B e o adversário vinha em má fase, assim como o Sport. Jogo extremamente complicado, tanto que o único gol da partida saiu apenas aos 38 minutos do segundo tempo. Após sua 13ª partida como titular, o goleiro precisou ir para o chuveiro mais cedo, por conta de um corte na cabeça. Com Maizena assumindo a titularidade, Magrão teve que esperar por outra oportunidade, que viria acontecer apenas no ano seguinte.

Da desconfiança à santificação 

O ano de 2007 não começou muito bem para o goleiro, desconfiança da torcida e milésimo gol de Romário. Mas, o paredão sempre mostrou nunca desistir, e na reta final do Campeonato Brasileiro da Série A, Magrão se tornou incontestável e absoluto defendendo a pátria rubro negra. Tanto que no mesmo ano, o camisa 1 do Sport foi elogiado por Rogério Ceni, em uma de suas grandes atuações.
E chegava 2008, junto com ele um campeonato que talvez nenhum rubro negro pudesse imaginar o triunfo que seria aquele ano.

A Copa do Brasil foi marcante e inédita para todos que presenciaram, se emocionaram e rasgaram a garganta com o grito de campeão. Na competição, Magrão defendeu pênalti, fez gol de pênalti e operou milagres em baixo das traves leoninas. O título diante do Corinthians, seria a maior glória do camisa 1. Sport terminou a competição com a melhor ataque e melhor defesa.

 
Foto: Flickr/Sport Club do Recife

                   Após a conquista do Brasil, Magrão teve destaque internacional e chegou ser cogitada sua saída para o futebol europeu.

O que parecia sonho virou pesadelo 

Com a conquista da Copa do Brasil de 2008, o Leão garantiu vaga na Libertadores, a maior competição do continente americano. Título nacional, torcida lotando o estádio, Libertadores e Série A, parecia que 2009 seria um grande ano para os pernambucanos. E até foi, antes de pararem nas mãos de um goleiro, mas não Magrão, o paredão da vez seria o palmeirense Marcos, em disputa pelas oitavas de final, a partida foi para os pênaltis e o time paulista saiu vencedor. Após a eliminação, o Sport não conseguiu se manter na Série A e acabou sendo rebaixado.

Na Libertadores, Magrão fez o que seria uma das suas maiores defesas em toda carreira. O Chile teve a honra de presenciar um voo do goleiro rubro-negro. A partida estava em 2 a 1 para o time brasileiro contra o Colo Colo. Atacante Carranza recebe a bola, dá duas passadas com a pelota em seu domínio e chuta de longe, Magrão evita brilhantemente o que seria o empate dos chilenos. Em entrevista, o goleiro conta que essa defesa está no top 3 das mais dificeis de sua carreira. “Tenho várias defesas difíceis, mas vou citar as mais recentes. Contra o Campinense, pela Copa do Nordeste, em uma cabeçada no canto direito; contra o Cruzeiro no Campeonato Brasileiro do ano passado, num chute de Rafael Sóbis no canto esquerdo; e no jogo contra o Colo-Colo, pela Libertadores.”

  
Foto: Reprodução/Youtube

Craque da Série B

O goleiro não se abateu em disputar a segunda divisão do Campeonato Brasileiro de 2010, apesar de não ter conquistado o acesso à Série A, individualmente, Magrão pôde comemorar pênaltis defendidos e o prêmio de melhor goleiro da competição, em votação popular. Já dizia o ditado: “a voz do povo, é a voz de Deus.”

A situação na Ilha do Retiro não estava boa para os atletas, mas a torcida fez questão de manter alta a moral do goleiro que tanto defendia, após falhas da frágil zaga rubro negra. 

31 pênaltis defendidos 

Poucos goleiros no Brasil têm tantos pênaltis defendidos, Magrão faz parte de um seleto grupo. Já defendeu pênalti em estadual, Copa do Nordeste, Campeonato Brasileiro da Série A e B, Copa do Brasil, Sul-Americana...Ufa! Muitos jogadores tremem quando estão diante do senhor Alessandro Beti Rosa. Magrão tem defesas com o pé, mão direita, mão esquerda e barriga. É um gigante! Na partida pela Sul-Americana 2013, em uma disputa contra o Náutico, o goleiro defendeu três pênaltis, dando ao Sport a vaga na fase seguinte da competição. “O pênalti mais complicado que defendi foi contra o Náutico, cobrado por Rogério, que hoje está aqui com a gente. Nunca é fácil escolher defesa de pênalti, mas acredito que essa foi a mais difícil”, contou o paredão. 

Magrão têm duas defesas de pênaltis diante das seguintes equipes: Central, Joinville, Santa Cruz, Fortaleza, Campinense e Danubio.
Seu recorde de três defesas de pênaltis é diante do Náutico.  

Marcas importantes

O goleiro é o jogador que mais vestiu a camisa do Leão da Praça da Bandeira, contra o Central completará 700 jogos, de sua estreia até esta quarta-feira são 4.828 dias vestindo a camisa rubro negra. Nesses 13 anos, conquistou:

Campeonato Pernambucano: 2007, 2008, 2009, 2010, 2014 e 2017
Copa do Brasil: 2008
Copa do Nordeste: 2014

 
Foto: Instagram/Goleiro Magrão

Magrão tem uma extensa coleção de prêmios individuais
Eleito melhor goleiro do Campeonato Pernambucano em 2007, 2008, 2009, 2010, 2012 e 2014
Melhor jogador do Campeonato Brasileiro da Série B de 2010

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