Sem Rodrigo Lindoso, base pode ser solução para 'volância' do Botafogo
Fotos: Vitor Silva/SS Press/Botafogo - Arte: Pedro Henrique Quiste

Um dos momentos mais cômicos do último final de semana foi  Rodrigo Lindoso afirmando que não sabia que estaria suspenso para a próxima partida do Botafogo, que será o segundo jogo da final do Campeonato Carioca, contra o Vasco, após ter levado um cartão amarelo por ter feito uma falta em Wagner, meio-campo do cruzmaltino.  

Apesar de todo o humor deste acontecimento, isso traz um grande problema para Alberto Valentim, treinador do Botafogo, para escalar a equipe titular, já que Rodrigo Lindoso vinha sendo o capitão da equipe e um dos principais jogadores, ajudando na marcação do meio-campo e contribuindo com a saída de bola e criação de jogadas do meio-campo, sua especialidade.

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O que a equipe perde sem Lindoso?

Como citado anteriormente, a especialidade do volante é a parte que envolve os passes. Alberto Valentim, que preza por um futebol de construção de jogadas e bom posicionamento pelos lados do campo, via o jogo de Lindoso encaixar perfeitamente com sua proposta, já que o camisa 5 conseguia conectar Luiz Fernando ou Valencia, os jogadores de lado, dando poucos toques na bola.

Foto: Reprodução/Footstats

Jogando em uma trinca no meio-campo, Lindoso era o jogador mais defensivo, vendo Renatinho, pela esquerda, e Marcelo, na direita, à sua frente. Em alguns momentos das partidas, porém, tornou-se comum enxergar Rodrigo trocando de posição com o atleta criado na base do Vitória, dando, consequentemente, mais liberdade para que ele pudesse avançar e organizar o jogo por aquele setor. 

Sem a presença de Rodrigo Lindoso, o Botafogo perderá um dos melhores passadores do elenco. Nos últimos jogos, tornou-se comum uma jogada trabalhada, com um passe vindo do meio – geralmente do camisa 5 – encontrando alguém pelos lados, que cruzava para um atleta, dentro da área, empurrar para o fundo das redes. Foi assim contra o Vasco, com o gol de Brenner, e contra o Flamengo, no tento de Luiz Fernando.

Base pode ser a solução

Alberto Valentim terá problemas para encontrar um substituto, já que João Paulo, principal jogador da equipe, e Dudu Cearense, um dos mais experientes, estão machucados e não terão condições de jogo. Para essa função, então, ‘sobram’ dois nomes de jogadores promissores, mas que ainda não tiveram muito tempo de jogo em 2018: Matheus Fernandes e Gustavo Bochecha, ambos criados nas categorias de base do time de General Severiano.

Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

Ambos compartilham campanhas de sucesso pelas categorias inferiores do Botafogo, onde jogaram juntos em diversas ocasiões. Em conjunto, foram uns dos principais responsáveis pelo título do Campeonato Brasileiro sub-20, em 2016. Formando uma dupla de volantes que se complementavam, garantiram o título contra o Corinthians, em São Paulo, com uma atuação de luxo, vencendo, com muita margem, um dos principais torneios de base do país.

O 2017 dos dois, porém, foi bem diferente: ambos foram integrados ao elenco profissional logo no começo da temporada, por pedido de Jair Ventura. Gustavo foi o primeiro que começou jogando, mas, logo em sua primeira partida, contra o Macaé, teve uma lesão muita séria e ficou afastado dos gramados por muito tempo, não voltando a ter chances no ano por falta de ritmo. Matheus, por sua vez, se tornou importante na equipe, sendo titular em boa parte do ano, e colecionando boas atuações, principalmente nos jogos da Taça Libertadores.

O que os dois podem oferecer?

Matheus Fernandes, de 19 anos, é um jogador conhecido pela grande parte da torcida: possui qualidade no desarme e boa chegada ao ataque. Para isso, conta com um bom controle de bola e sabe explorar os espaços deixados pelos adversários. Um ponto negativo é a parte que envolve a finalização de média distância, seu ponto fraco. Com as boas partidas no ano passado, foi eleito o 16º jogador do mundo pela revista “FourFourTwo” e retornou normalmente aos treinos.

Gustavo Bochecha, 21, é um jogador canhoto que tem grande qualidade no passe. Consegue rodar e articular o jogo por meio de toques verticais, sempre buscando clarear o jogo. Apesar da qualidade técnica, não tem a infiltração como seu atributo principal, sendo um jogador que mais organiza jogadas do que finaliza. Ainda não jogou em 2018, mas já foi muito elogiado pelo próprio Alberto Valentim.  

Como pode ser visto, os dois tem características que se complementam dentro de campo. Matheus Fernandes tem ao lado o fato da experiência dentro de campo, por ter aparecido em várias partidas no ano passado e saber lidar com a pressão de um jogo importante. Bochecha, por sua vez, possui características mais parecidas com a de Rodrigo Lindoso – apesar do estilo de jogo bem diferente –, principalmente pela parte dos passes. Quem será que fará parte do time titular no domingo? 

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