Em final marcada por duas voltas olímpicas, Botafogo vence Vasco e é bicampeão carioca em 1990
Foto: Divulgação/Botafogo

No dia 29 de julho de 1990, Botafogo e Vasco se enfrentaram no Maracanã para decidir quem seria o campeão estadual daquele ano. Em um jogo marcado pelo excesso de faltas feitas por ambas as equipes, e pelo fato de ter duas voltas olímpicas, o alvinegro venceu o cruzmaltino com um gol de Carlos Alberto Dias em uma boa jogada feita por Valdeir. 

Na Taça Guanabara, em classificação geral, o Vasco ficou em primeiro lugar e garantiu sua vaga para a fase final. Já na Taça Rio, equivalente ao segundo turno, o Fluminense se sagrou campeão e também se classificou para a fase final. Porém, quem tivesse a melhor campanha acumulada pelos dois turnos, diretamente ia pra final, que foi o Botafogo, com 32 pontos. As outras duas equipes se enfrentaram em uma semifinal para ver quem enfrentaria o time de General Severiano  e deu o cruzmaltino, vencendo a partida por 1 a 0.

O jogo

O Botafogo foi a campo com a seguinte formação: Ricardo Cruz, Paulo Roberto, Wilson Gottardo, Gonçalves e Renato Martins; Carlos Alberto Santos, Luisinho e Djair; Donizete, Valdeir e Carlos Alberto Dias, com o comando de Joel Martins.

Já o Vasco da Gama foi com o seguinte esquema: Acácio, Luis Carlos Winck, Célio Silva, Quiñonez e Mazinho; Marco Antônio, Boiadeiro e Bismarck; Tita, William e Sorato, com Alcir Portella como treinador

Com 10 minutos de jogo equilibrado, com as duas equipes atacando, o meia Boiadeiro fez uma falta perto da área em Carlos Alberto Dias. Paulo Roberto, lateral direito, bateu a falta muito longe do gol defendido por Acácio. Cinco minutos depois, Valdeir recebe um lançamento e é derrubado pelo zagueiro vascaíno Quiñonez fora da área, quase perto da linha. Porém, a falta novamente cobrada por Paulo Roberto bateu na barreira. Depois desse ataque, o Vasco teve amplo domínio do jogo, principalmente pelas jogadas feitas pelo lateral esquerdo Mazinho, o mais perigoso da equipe até então. Com inúmeros escanteios a favor e jogadas feitas pelo lado do campo, o Vasco dominava as ações do jogo, enquanto o Botafogo apenas se defendia.

Aos 23 minutos, Bismarck deu um carrinho perigoso no lado esquerdo de defesa do Botafogo, no lateral esquerdo botafoguense, Renato Martins, e os dois trocaram tapas, mas o juiz ignorou o lance. Logo depois, Tita recebe uma bola no meio, avança e sofre uma falta perigosa, Luiz Carlos Winck chuta com efeito mas a bola vai longe da meta defendida por Ricardo Cruz, que só observou. No final do primeiro tempo, o Vasco chegou com perigo, com uma tabela de Bismarck e Luiz Carlos Winck, que cruza mas a defesa botafoguense rebate. E no último lance do primeiro tempo, Donizete tocou para Luisinho que enfiou a bola para o atacante no lado direito do ataque, porém, ninguém completou o cruzamento, e o juiz acaba 0 a 0, resultado que refletiu o equilíbrio apresentado.

No segundo tempo, com 6 minutos de jogo, o Vasco quase chegou ao primeiro gol da partida. Marco Antônio tocou para Bismarck no lado esquerdo que cruzou, com desvio de um atleta do Botafogo, para Luiz Carlos Winck que cabeceou a bola na trave de Ricardo Cruz. O time do Vasco levava mais perigo ao gol alvinegro do que o time do Botafogo levava a meta vascaína. 

Na metade da etapa complementar, uma tabela entre Boiadeiro, Bismarck e Sorato quase resulta em gol vascaíno, com William finalizando perto da área com um chute potente indo para fora, dando um susto na torcida do Botafogo. Aos 33 minutos, saiu finalmente o gol da partida, marcado por Carlos Alberto Dias, atacante do Botafogo. O próprio jogador que começou a jogada, fazendo uma tabela com Valdeir, e abrindo para o ponta veloz na esquerda tocar para Donizete, que tentou tirar o zagueiro do lance e a bola acabou sobrando para o atacante, que finalizou de esquerda com uma extrema categoria, tirando Acácio da jogada. Depois disso, começou a pressão do Vasco pelo gol de empate, mas sem muito sucesso, colocando até o grande ídolo Roberto Dinamite, que pouco fez no jogo. 

A polêmica

Com o apito final e um público de 35.083 no Maracanã, o Botafogo conquistava o bicampeonato estadual, e com a taça Cidade de Friburgo na mão de Wilson Gottardo, o capitão, os alvinegros deram a volta olímpica no Maracanã com a torcida gritando "Bicampeão!".

Enquanto isso, os jogadores do Vasco ficaram em campo esperando a prorrogação, já que caso o Botafogo derrotasse o Vasco, necessitaria uma prorrogação,por conta da equipe de General Severiano não ter sido campeã de nenhum turno. Porém, o alvinegro seguiu o regulamento original, que indicava que quem vencesse a final, seria campeão estadual. 

O capitão alvinegro Wilson Gottardo falou que a equipe não ia disputar uma prrogação, contando que já era bicampeão estadual. Vinte  minutos depois, os jogadores do Vasco alegaram que o Botafogo abandonou a prorrogação, e se autoproclamaram campeão estadual. Com uma caravela entregue por um torcedor vascaíno de organizada, o Vasco da Gama também deu a volta olímpica afirmando que eram campeões estaduais. Alguns meses depois, a Ferj foi obrigada a entregar a taça oficial de campeão ao Botafogo, após o título ser confirmado por decisão judicial. 

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