Brasil pressiona Paraguai na base do abafa e problemas de criação persistem
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Pela terceira vez em quatro anos, brasileiros e paraguaios foram aos pênaltis numa disputa de quartas de final da Copa América. O Brasil, após três edições consecutivas caindo precocemente, avançou às semifinais batendo o Paraguai por 4 a 3 nas penalidades, depois de empate sem gols no tempo normal nesta quinta-feira (27), na Arena do Grêmio.

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Mesmo com um a mais durante boa parte da segunda etapa, a Seleção não conseguiu superar a grande atuação de Gatito Fernández. Em relação a vitória sobre o Peru por 5 a 0, o técnico Tite fez apenas uma mudança: a entrada de Allan na vaga do suspenso Casemiro no meio-campo. Diferente dos peruanos, porém, o Paraguai de Eduardo Berizzo se postou numa linha de cinco na defesa e deu muito menos espaço aos brasileiros, o que expôs os problemas do Brasil. Os paraguaios apostaram em um jogo muito físico e cometeram menos faltas que o Brasil, mas a característica da partida foi de muita disputa e também muitas paralisações.

Sem muito apoio, Arthur foi praticamente o único jogador que ocupou a faixa de meio-campo durante toda a partida, até pela tendência de Coutinho a se deslocar para a ponta - o primeiro teve atuação burocrática.

Heatmap Allan (Fonte: Whoscored)
Heatmap Allan (Fonte: Whoscored)
Heatmap Coutinho (Fonte: Whoscored)
Heatmap Coutinho (Fonte: Whoscored)
Heatmap Arhur (Fonte: Whoscored)
Heatmap Arhur (Fonte: Whoscored)

O Brasil teve uma tendência a atacar mais pela esquerda, primeiro com Felipe Luís e depois com Alex Sandro se associando com Everton. Gabriel Jesus, em uma posição pouco habitual pela direita, teve dificuldades para finalizar as jogadas, apesar de alguns lampejos. Principalmente na primeira etapa, Tite mudou a posição de seus três atacantes em alguns momentos, mas sem muito impacto para superar os laterais Píris e Alonso.

Alguns fatores influenciaram o grande aumento da pressão brasileira no segundo tempo. Principais marcadores pelo lado, Píris, Alonso e Arzamendia receberam cartão amarelo e diminuíram a intensidade da marcação. O Paraguai se retraiu ainda mais e concentrou suas forças de defesa mais perto da área, o que deu mais liberdade para jogadas laterais do Brasil. Além disso, aos 12 da segunda etapa, o zagueiro Balbuena foi expulso. A resposta de Tite foi a entrada de Willian na vaga de Allan, e o camisa 10 brasileiro foi peça essencial para essa pressão exercida no segundo tempo.

Números do Brasil Primeiro tempo Segundo tempo
Finalizações (certas) 5(3) 21(5)
Posse de bola 67% 74%
Passes completados 286 214
Faltas 11 11
Defesas do goleiro rival 3 5
Escanteios 0 5
Ataques perigosos 38 62

* Dados do Flashscore

Apesar de mais percentual de posse de bola no segundo tempo, o Brasil trocou menos passes, o que evidencia a falta de paciência e de ideias do time para buscar espaços na defesa paraguaia. No total, segundo dados do Footstats, a Seleção tentou 29 cruzamentos durante a partida e acertou oito deles.

O ponto positivo do Brasil continua sendo a defesa. Com o empate em 0 a 0 contra o Paraguai, a Seleção chegou ao sexto jogo consecutivo sem tomar gols - o último sofrido foi em 26 de março, na vitória por 3 a 1 sobre a República Tcheca.

O adversário da Seleção nas semifinais, sai do confronto entre Venezuela e Argentina, que se enfrentam no Maracanã nesta sexta-feira (28), às 16h.

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