Caso Jean Mota: de titular absoluto a desabafo público por não jogar
Foto: Ivan Storti/Santos FC

Caso Jean Mota: de titular absoluto a desabafo público por não jogar

O camisa 41 era o recordista de sequência de jogos no início do ano, hoje não soma 90 minutos em jogos que não foi titular no Brasileirão Pós-Copa América

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Victor Cunha

Jean Mota é um caso um tanto quanto inusitado neste Santos de Sampaoli. O atleta não era um dos mais badalados do elenco no começo do ano, mas mostrou futebol para o comandante, que tinha acabado de chegar à baixada, e então se tornou um dos titulares indiscutíveis da equipe. O tempo passou e as coisas mudaram para Jean Mota.

Hoje o atleta mal entra nas partidas e, por conta disso, criticou publicamente seu técnico. Após tais críticas, o atleta veio se desculpar com seus companheiros de clube e com Sampaoli.

De badalado à reserva

Jean Mota foi uma grata surpresa para o futebol de Santos no começo da temporada. Dos 27 primeiros jogos do clube, ele disputou 25. Para exemplar tal feito, no Campeonato Paulista, Jean Mota não jogou apenas um jogo dos 16 feitos pelo Santos, a goleada de 4 a 0 sofrida para o Botafogo-SP.

Dos 15 jogos na competição, ele começou como titular em 14, terminando 11 desses jogos em campo. Foram sete gols na competição.

Na Copa do Brasil, ele jogou sete partidas das oito que o Santos participou, sendo que ele foi titular em seis delas, com dois gols. Na Copa Sul-Americana, ele jogou os dois jogos da equipe, que foi eliminada precocemente para o River Plate-URU.

No Brasileirão, até a parada para a Copa América os números de Jean Mota não eram ruins.

Foram oito jogos disputados, com cinco dessas partidas onde ele começou como titular. Vindo do banco foram três. No último jogo antes da parada para a Copa América Jean Mota não foi utilizado, quando o Santos venceu o Corinthians por 1 a 0.

Após a parada Jean Mota passou a ser menos utilizado. Nos cinco jogos feitos pelo clube, ele começou como titular em apenas um: a vitória do Santos contra o Botafogo por 1 a 0, fora de casa. Neste jogo, Jean Mota foi substituído aos seis minutos do segundo tempo.

Nos outros quatro jogos o meia veio do banco em três, ficando um jogo sem entrar, justamente a goleada de 6 a 1 do Santos sobre o Goiás.

Nas partidas que entrou, Jean Mota soma pouco mais quem um tempo jogado. Para ser mais exato, apenas 67 minutos de jogo. Seria como se ele houvesse começado uma partida como titular e sido substituído aos 22 minutos de jogo.

Nesses minutos Jean Mota não balançou as redes. Seu último gol com a camisa santista foi no dia nove de junho, contra o Atlético Mineiro. Desde então, o camisa 41 não marcou gols.

Apesar desses números de pouca atuação, Jean Mota é o maior ‘garçom’ do elenco santista, com sete assistências para gols no ano, uma à frente de Victor Ferraz e Derlís González e duas de Sáchez, que tem cinco.

Jean também é o segundo maior artilheiro do ano, com 10 gols marcados. O artilheiro é Carlos Sánchez, com 12. Essa é uma marca expressiva, considerando que o último gol do meio campista pelo clube foi há dois meses.

Boca nos microfones

A situação incômoda veio a publico na derrota para o São Paulo. Após o jogo, o atleta negou boatos de que haviam propostas para ele vindo da Arábia dizendo: “Para mim não chegou nada”.

Após isso o meio campista desabafou com a imprensa sobre essa situação de ter poucos minutos em campo: “Fiz um gol e uma assistência contra o Atlético-MG, depois nem entrei. Eu queria uma resposta. Saem matérias e eu nunca sei de nada. Não sei se a diretoria ou o treinador contam mais comigo, mas afeta a confiança. Presidente manda, mas a gente tem que ter essa conversa. Ele precisa falar o que acontece. Se ele decidiu não me emprestar, não chegou até mim para saber minha intenção. Eu quero estar aqui, tenho contrato”.

Após o desabafo do atleta, José Carlos Peres e Jorge Sampaoli foram as pessoas que deram respostas para o público sobre o caso. Primeiro, o presidente do clube disse não haver propostas pelo atleta e ‘jogou a responsabilidade’ do caso para Sampaoli: “Não existe nenhuma proposta por Jean Mota. A janela europeia fecha dia 31. Não apareceu nada. Se tivesse aparecido, teria chamado ele para conversar. Ele tem que perguntar para o técnico o motivo de não estar sendo escalado, se ele está reclamando. Eu posso te garantir que não fez nenhum pedido para tirar ele da lista de convocados do jogo”.

Após isso, Sampaoli foi direto ao ponto em sua explicação do porquê de Jean Mota não estar jogando: “Não joga porque ele não está melhor. Se não está melhor, joga o outro. Há sete partidas a equipe vinha ganhando, e as mudanças acontecem em todos os momentos. Vai jogar quem está melhor”.

Todas as falas acima foram dadas na zona mista após a derrota do Santos para o São Paulo, na rodada de número 14 do Brasileirão, disputada no último sábado (10). Apenas três dias depois, Jean Mota convocou uma coletiva para explicar o caso.

O arrependimento do atleta foi claro em sua fala sobre Sampaoli e sobre a situação que ele mesmo criou: “Claro que me arrependo. O time vinha crescendo, eu estava triste. Muito se falou da titularidade ou não, o foco eram outras questões. Poderia falar com o presidente ou diretoria e ter conversado internamente. Ali não era o momento. Tudo o que você fala se volta a você. O Sampaoli foi o cara que me deu total apoio desde que chegou. Ele nem me conhecia e trouxe de volta a minha confiança. Eu dei inúmeras entrevistas durante a boa fase sobre a importância dele para mim. Sempre falo que vou buscar meu espaço dentro de campo. Estou aqui há três anos, fiquei no banco em inúmeros momentos e nunca reclamei deste tipo, vocês sabem disso. A crítica não era pra ele, a crítica era por coisas internas, sobre propostas. A proporção se tornou maior”.

Vou buscar meu espaço dentro de campo e isso que ele (Sampaoli) respondeu: quem tiver melhor, vai jogar. Disseram que chegaram propostas, mas ainda não foi resolvido. Se chegar, for bom para o Santos e pra mim, tudo bem. Vamos sentar e conversar. A conversa com o Sampaoli foi boa e isso não vai influenciar. A gente vai buscar a titularidade dentro de campo. Se eu não tiver correspondendo, não vou jogar. É essa base que tenho de me colocar e buscar meu espaço nos treinamentos e jogos”, completou o jogador.

O Santos volta aos gramados no próximo domingo (18), quando enfrenta o Cruzeiro, no Mineirão, às 16h, pela 15ª rodada do Brasileirão. Cabe agora a Jean Mota trabalhar para poder atuar nesta partida e começar a volta por cima que ele tanto busca.

*todos os números utilizados nesta matéria tem como fonte o site ogol.com.br

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