Opinião: Em terra de cego, quem tem VAR é (ou deveria ser) rei
VAR é centro de polêmica no futebol brasileiro... de novo (Reprodução/CBF)

São Paulo e Flamengo tropeçaram novamente no Campeonato Brasileiro, mas a polêmica da rodada, incrivelmente, não envolve nenhum dos dois times.

A anulação do pênalti no jogo entre Sport e Palmeiras tomou conta das redes sociais, teve torcedor xingando o juiz, presidente criando teoria da conspiração... sobrou até para a comentarista de arbitragem que estava na transmissão. Mas o pedido feito pelo clube recifense para retirada do VAR nos seus jogos é a cereja que faltava no bolo do retrocesso do futebol brasileiro. 

Primeiro, vamos ao lance. A mudança na regra do toque de mão na bola passou por uma alteração, feita pela International Board (IFAB), em 2020, e diz que em casos de toques involuntários, a penalidade só pode ser marcada caso o lance leve a uma “ocasião manifesta de gol”, o que não tem como ser considerado, uma vez que a bola estava sendo afastada pela defesa palmeirense. Ou seja, não foi pênalti e o VAR agiu corretamente ao chamar o juiz para a revisão. 

O árbitro de vídeo tem como princípio básico atuar como auxiliar ao árbitro de campo, em situações que podem alterar o resultado de um jogo, sendo elas, gols, penalidades, cartões vermelhos ou erros de identificação do jogador.

No caso de pênaltis mal marcados, o VAR tem a obrigação de recomendar a análise, assim como em  casos de impedimentos ou bola fora de campo antes  da marcação. Vale lembrar que quem está na cabine não pode dizer o que está certo ou errado, a interpretação final é sempre do juiz de campo.   

VAR auxilia, nunca decide (Reprodução/CBF)
VAR auxilia, nunca decide (Reprodução/CBF)

É nesse ponto que reside tanta polêmica, que gera todo esse ódio em relação ao vídeo. O que seria uma ocasião manifesta de gol? Certamente que, em um debate, concordaríamos sobre alguns lances, mas chegaria um ponto que nossas opiniões divergiriam. O mesmo problema acontece na cabine de revisão enquanto todos aguardam por uma decisão rápida, mesmo  essa última parte sendo contra o protocolo recomendado.   

Um lance muito parecido com o desse fim de semana aconteceu no jogo da 21ª rodada entre Botafogo e RB Bragantino, onde o pênalti também foi revisado, mas dessa vez marcado pelo árbitro. A regra deixa vazios que precisam urgentemente serem preenchidos. A subjetividade  nas decisões levam a inevitáveis contradições e esse é o problema que precisa de correção. 

O VAR é uma ferramenta objetiva que ajuda na aplicação de uma regra e por isso ele não pode ser contestado.  Ele é o meio certo entre um início e fim de subjetividade, com regras incompletas que levam a decisões equivocadas. O vídeo revela os erros, pedir pela sua saída nada mais é do que cegar-se diante a verdade. 

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