#AnáliseVAVEL: o sentido de James Rodríguez

Meia do Bayern de Munique foi a peça-chave na vitória da Colômbia sobre Polônia, que manteve cafeteros com vida na Copa do Mundo

Após terem sido derrotadas em suas estreias da Copa do Mundo, Colômbia e Polônia fizeram o duelo decisivo do Grupo H na Kazan Arena. Para evitarem a eliminação já logo na segunda rodada da fase de grupos do Mundial, as duas seleções necessitavam muito da vitória para dependerem apenas de si na jornada final.

E pensando nisso, a seleção colombiana foi quem decidiu tomar a iniciativa desde os primeiros minutos de partida. Assumindo o protagonismo com a posse da bola, a equipe dirigida pelo argentino José Pékerman adotou uma postura extremamente vertical, que visava chegar à meta defendida por Wojciech Szczęsny com o menor número de toques possível. O problema para os cafeteros foi que o time não atacou com qualidade na etapa inicial, tampouco controlou efetivamente o adversário e até então estava prejudicando uma das suas principais peças, o centroavante Falcao García.

Colômbia despacha Polônia da Copa e depende de uma vitória para avançar às oitavas

A precipitação da Colômbia em sua fase ofensiva esteve marcada pela maneira como o time saltava etapas de construção, buscando jogadas de aceleração/troca de ritmo ou passes verticais sem antes construir vantagens táticas para finalizar com perigo. Como consequência disso, Falcao Garcia estava sendo lançado frequentemente contra o trio de zagueiros poloneses, precisando trabalhar mais distante da área para segurar a bola e esperar que os jogadores da segunda linha se aproximassem.

A atuação ofensiva da seleção comandada por Pékerman estava sendo muito refletida pelas intervenções do mediapunta Juan Quintero, que, apesar de muito plástico e habilidoso com a bola, equivocou diversos passes em situações posicionais e insistiu por diversas vezes em lançamentos que deixassem algum companheiro na cara do gol. Ao final dos 45 minutos iniciais, os 15 passes errados de 42 tentativas de Quintero exemplificaram bem o caótico plano de elaboração da Colômbia, que só ganhou lucidez nas jogadas comandadas por James Rodríguez, responsável pela assistência para o gol do zagueiro Yerri Mina pouco antes do intervalo.

Ao contrário do estilo agressivo e vertical de Juan Cuadrado e Juan Quintero, James foi a pausa, o jogador que buscou dar sentido antes de buscar o passe para superar o sistema defensivo da Polônia. O seu passe para o 1 a 0 abriu os caminhos e facilitou plano de jogo do conjunto Tricolor, que não precisou dominar a partida com a posse e seu jogo vertical passaria fazer sentido. Com isso, o que foi visto foi um verdadeiro massacre por parte da Colômbia em jogadas de transições, marcando o 2 a 0 com Falcao García - após belo passe de Quintero - e definindo o placar após James Rodríguez iniciar o contragolpe e lançar Cuadrado para anotar o 3 a 0 definitivo.

Não foi uma atuação completíssima em termos coletivos, mas a Colômbia de José Pékerman mostrou que tem as armas necessárias para vencer o próximo confronto contra Senegal e chegar às oitavas de final do Mundial da Rússia, sobretudo pelos pés de James Rodríguez.