EUA nas quatro linhas #12 - Quais as expectativas da MLS para os próximos anos?
Foto: (Andy Mead / MLS)

Nesta segunda-feira (26), em entrevista exclusiva para a VAVEL, o vice-presidente de comunicação da MLS falou sobre as projeções da liga dentro e fora de campo. O executivo chamado Dan Courtemanche avaliou o progresso desde a fundação, o atual cenário e o que a empresa espera para as próximas temporadas.

Sem dúvidas, o futebol estadunidense é um dos que mais cresce nas Américas e no mundo. Tanto na questão técnica quanto nos investimentos em infraestrutura e valor de mercado. A liga segue moldes únicos nas quatro linhas, por exemplo, não há rebaixamento e promoção. Além disso, segue “esquema financeiro” único e são extremamente rigorosos com a responsabilidade fiscal. 

“A Major League Soccer se tornou rapidamente uma das principais ligas de futebol do mundo. O compromisso, a dedicação e o investimento de nossos proprietários continuam sendo a força motriz por trás do sucesso da liga. A MLS começou como uma liga de 10 times em 1996 e, em breve, terá 30 clubes. Logo, tornando-se a liga de futebol que mais cresce no mundo. Liderada por nossos proprietários visionários, juntamente com fãs apaixonados por futebol nos EUA e Canadá, a MLS elevou o perfil do futebol na América do Norte.

Antes da formação da liga, nossos fundadores analisaram muitas outras ligas esportivas profissionais na América do Norte e em todo o mundo. A análise dessas outras ligas levou em consideração a decisão da MLS de estabelecer uma estrutura de negócios de entidade única. Sob essa estrutura, nossos proprietários adquirem o direito de operar um clube em um mercado local. Proprietários e presidentes de clubes decidem quais treinadores contratar e garantem todos os seus jogadores, mas certas receitas, como direitos de mídia nacionais e internacionais, são compartilhadas entre nossos clubes.

A estrutura de entidade única serviu como base para o sucesso da liga e nos ajudou a crescer a liga durante os últimos 25 anos”, disse Dan Courtemanche à VAVEL.

Perguntado sobre os planos, metas e objetivos da Major League Soccer, o representante pontuou a chegada de novos times, a criação de novos estádios, o desenvolvimento dos atletas e muito mais.

“Desde 2005, 20 times se juntaram à Major League Soccer. Uma corrida incomparável para uma das principais ligas de esportes profissionais deste século. Com seis novos clubes programados para estrear nos próximos três anos e mais sete estádios sendo inaugurados durante esse período, a MLS continua uma história de crescimento.

Como a MLS é uma liga que compete em duas das maiores nações geográficas do mundo e com uma população combinada de mais de 355 milhões de pessoas, a liga tem a capacidade de ter 30 clubes. Nesta temporada, a MLS tem 26 clubes e, durante os próximos três anos, expandiremos para 30 times com Austin estreando em 2021, Charlotte em 2022, Sacramento e St. Louis em 2023. Além disso, novos estádios de futebol estão sendo construídos em Columbus, Austin, Cincinnati, Nashville, Sacramento, St. Louis e outros, incluindo um estádio para o Inter Miami CF em fase de planejamento. O custo médio desses estádios é de mais de US $300 milhões. 

Temos a sorte de ter o grupo de jogadores mais diversificado do mundo, já que os clubes da MLS são o lar de jogadores nascidos em 75 países. Nossa liga apresenta uma mistura de jogadores internacionais de classe mundial, estrelas das seleções dos EUA e do Canadá e os melhores jovens jogadores desenvolvidos nas academias da MLS. Como bilhões de dólares foram investidos em estádios, instalações de treinamento e iniciativas como nosso programa de desenvolvimento de jogadores MLS NEXT, esperamos ver nossas equipes desenvolverem muitos jogadores adicionais que terão um impacto em seu clube e desempenharão um papel de destaque na seleção de seu país nos próximos anos.

Esses jogadores estão competindo diante de algumas das maiores multidões de futebol em nosso hemisfério, já que clubes como o Atlanta United e o Seattle Sounders atraem regularmente mais de 70.000 fãs. Como a MLS mais do que dobrou de tamanho durante a última década, a popularidade do futebol atingiu o ponto mais alto nos Estados Unidos e no Canadá. Uma pesquisa recente da Gallup afirmou que o futebol ocupa o segundo lugar em popularidade como um "esporte para assistir" entre as pessoas de 18 a 34 anos nos EUA, atrás apenas do futebol americano. Durante a última década, a popularidade do futebol nos EUA triplicou e o esporte também teve um crescimento semelhante no Canadá. 

Há um tremendo impulso por trás de nossa liga. É um momento emocionante para todos os envolvidos com a MLS, pois nossos melhores dias ainda estão à nossa frente.”

O campeonato está cada vez mais competitivo. Desde 2007, a liga atrai grandes jogadores em âmbito mundial. Entretanto, desde 2015, este fluxo está se intensificando. Porém, não só com atletas experientes. Há uma certa imigração de jovens promessas para ambos os países norte-americanos.

“A Major League Soccer se tornou rapidamente a liga preferida dos jogadores, treinadores e fãs. Enquanto jogadores de alto nível como Gonzalo Higuaín e Blaise Matuidi estão assinando com clubes da MLS, a liga se tornou extremamente atraente para estrelas em ascensão como Cristian Pavón, da Argentina, e Brian Rodríguez, do Uruguai, dois jogadores que estão se tornando regulares em suas respectivas seleções enquanto jogam na MLS. 

Os jogadores gostam de vir para a MLS por causa da intensa competição em campo, instalações de classe mundial, fãs apaixonados e forte base econômica. Eles também gostam de jogar em uma liga que oferece equilíbrio competitivo devido à estrutura de remuneração. Com 10 diferentes campeões da MLS Cup nas últimas 13 temporadas, cada jogador e torcedor da MLS começa o ano com a crença de que seu clube pode ganhar a MLS Cup.”

O sucesso da Major League Soccer está atingindo uma escala global graças aos direitos de transmissão negociados pelos dirigentes da liga. Isso beneficia nas negociações de jovens atletas que despertam interesse de diversos clubes pelo mundo, por exemplo. Além disso, agrega valor de mercado.

“Os jogos da MLS são televisionados em mais de 190 países, alcançando fãs de futebol em todo o mundo. Quando David Beckham se juntou ao LA Galaxy em 2007, ele elevou o perfil da MLS e foi um catalisador para o incrível crescimento que vimos durante a última década. Algumas das redes de televisão mais proeminentes transmitem jogos da MLS, incluindo: SKY Sports, ESPN América Latina e DAZN Brasil.

Nossos jogadores vêm de quase todos os continentes, temos a sorte de ter fãs em todo o mundo que nos assistem na televisão e compram produtos do clube. Claro, as contratações de jogadores terão um impacto. Quando Carlos Vela veio para a MLS, vimos mais interesse do México. Estamos vendo agora a mesma reação na Argentina com a chegada de Higuaín. Os fãs de futebol na Inglaterra, Alemanha e Espanha também estão observando a MLS de perto, procurando ver se os próximos Alphonso Davies, Miguel Almirón ou Tyler Adams assinam com seu clube.”

Em 2026, os Estados Unidos vai sediar a Copa do Mundo junto com o México e Canadá. Uma excelente oportunidade para desenvolver ainda mais o futebol, expandir os negócios e exibir a sua infraestrutura para o mundo. 

“A Copa do Mundo de 2026 trará aos EUA, Canadá e México uma atenção sem precedentes ao nosso esporte, clubes, instalações de treinamento e estádios. A Copa do Mundo de 2026 marcará o 30º aniversário da Major League Soccer. Melhor maneira de comemorar a fundação da liga que também nasceu de uma Copa do Mundo. Certamente será um momento histórico para o esporte nos Estados Unidos e Canadá.

Além disso, é raro nos negócios ter a oportunidade de planejar um momento especial. Com a conquista do direito de sediar a Copa do Mundo de 2026, temos seis anos de preparação para o evento esportivo mais importante do mundo. Certamente vemos os próximos anos como uma excelente oportunidade para continuar a crescer a liga e ampliar nossa base de fãs”, falou Dan Courtemanche.

Vale lembrar que os Estados Unidos já sediou uma Copa do Mundo, em 1994, quando o Brasil consagrou-se tetracampeão diante da Itália no Rose Bowl.

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