O declínio do Chile: de bicampeão da Copa América a fora da Copa do Mundo

Troca de treinador, desentendimento no vestiário e queda de rendimento foram fatores fundamentais no declínio chileno que não disputará a Copa na Rússia em 2018

O declínio do Chile: de bicampeão da Copa América a fora da Copa do Mundo
Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

Após conquistar o título da Copa América 2015 e a edição Centenária do torneio no ano seguinte, o Chile começou bem a trajetória nas Eliminatórias conseguindo uma vitória sobre o Brasil. Porém, o caminho terminou com derrota para os brasileiros na noite desta terça-feira (10) e sem chances de vaga na Copa do Mundo de 2018 na Rússia.

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O Chile foi o único capaz de vencer o Brasil nas Eliminatórias. A mudança de técnico salvou os brasileiros, os únicos que chegaram na última rodada já garantido na Copa do Mundo. Já os chilenos, que durante a caminhada perderam o técnico Sampaoli, não tiveram a mesma sorte. Além da eliminação, a derrota para o Brasil pode significar também o fim da melhor geração chilena.

O início da melhor geração do Chile

Há dez anos, o Chile vivia um dos piores momentos futebolísticos de sua história. A seleção ficou fora de duas Copas seguidas e tinha uma equipe envelhecida. O técnico Marcelo Bielsa assumiu o comando em 2007 e iniciou o trabalho de renovação, moldando um time jovem e intenso, que fazia pressão sem a bola e atacava em velocidade.

Com Bielsa, enfim, o Chile retornou a Copa do Mundo em 2010, mas foi eliminado para o Brasil de Dunga nas oitavas de final após perder de 3 a 0. A campanha até a eliminação para a seleção canarinho serviu para consolidar nomes que estão até hoje no selecionado chileno, como Mauricio Isla, Jean Beausejour e Gonzalo Jara.

Após a eliminação na Copa do Mundo, Bielsa deixou o comando da seleção em 2011. Apesar da saída, deixou um modelo de jogo definido que é utilizado até hoje. Claudio Borghi tornou-se o novo técnico, mas teve uma passagem com problemas disciplinares e não durou muito tempo. Eis, então, que os chilenos acharam o substituto perfeito para Bielsa: o argentino Jorge Sampaoli.

Chile bicampeão da Copa América

Jorge Sampaoli foi o substituto perfeito. O técnico já se inspirava em Marcelo Bielsa na Universidad de Chile e, quando assumiu a seleção chilena, aperfeiçoou o padrão de jogo deixado pelo compatriota. Assim, o Chile alcançou voos mais altos.

Já com Sampaoli no comando, novamente o Chile foi para a Copa do Mundo em 2014. Porém, caíram para o Brasil nas oitavas mais uma vez, desta vez com Felipão no comando da seleção canarinho. Apesar da derrota, a seleção chilena foi superior e, por pouco, não eliminou o Brasil na própria casa.

Além dos jogadores já consolidados desde a Copa de 2010, em 2014 outros atletas se consolidaram, como o goleiro Claudio Bravo, o meia Arturo Vidal e o atacante Alexis Sánchez, que já se destacavam na Europa, e Charles Aránguiz e Eduardo Vargas que se destacavam no Brasileirão.

Sampaoli continuou no comando mesmo após a eliminação na Copa do Mundo de 2014. Com uma identidade de jogo definida e uma fome de vencer, o Chile foi o país sede da Copa América de 2015. Em casa, jogaram um futebol espetacular e na final derrotaram a Argentina de Messi, que meses antes também terminaram com o vice da Copa do Mundo ao perder para a Alemanha, e assim conquistaram o título mais importante de sua história.

O auge da melhor geração chilena foi na conquista da Copa América de 2015 (Foto: Getty Images)
O auge da melhor geração chilena foi na conquista da Copa América de 2015 (Foto: Getty Images)

No ano seguinte, na Copa América Centenário, que foi uma edição especial da competição, o Chile voltou a bater a Argentina na final e conquistou mais um título. O desempenho da equipe em campo, porém, não foi o mesmo e isso, de alguma forma, indicava mudanças.

O declínio nas Eliminatórias e o vexame de ficar de fora da Copa do Mundo

O Chile começou bem nas Eliminatórias, foi o único a conseguir a vencer o Brasil, logo na rodada de estreia, e figurou nas primeiras rodadas entre os líderes. Porém, Jorge Sampaoli deixou o comando técnico após uns desentendimentos com a federação chilena e foi para a Europa. 

Para o lugar de Sampaoli chegou Juan Antonio Pizzi, outro argentino. O novo treinador mexeu pouco nas convocações, deixou a base do compatriota e praticamente não mudou as características da equipe. Mesmo assim, o Chile sofreu para impor seu jogo de pressão e começou a acumular tropeços.

A queda física e a irregularidade de alguns atletas fundamentais, e alguns problemas de relacionamento dentro do vestiário afetaram diretamente no desempenho dentro de campo. O Chile chegou na rodada final das Eliminatórias dependendo apenas dele, mas a missão não era fácil. Evitar uma derrota para o Brasil de Tite era quase improvável. E não teve jeito. Deu a lógica. Deu Brasil.

A derrota para o Brasil e o vexame de ficar fora da Copa do Mundo mesmo após disputar a Copa das Confederações pode significar o fim da melhor geração do Chile, um trabalho que foi iniciado há dez anos com Marcelo Bielsa. O técnico Juan Antonio Pizzi entregou o cargo após o jogo que culminou no vexame e, agora, o Chile clama por uma renovação já de olho para a Copa de 2022.

Valdívia foi um dos jogadores que sofreram de irregularidade e queda física, prejudicando o Chile (Foto: Getty Images)
Valdívia foi um dos jogadores que sofreram de irregularidade e queda física, prejudicando o Chile (Foto: Getty Images)