Guia VAVEL da Copa do Mundo 2018 : Brasil

Sob comando de Neymar, Brasil chega ao mundial em busca da redenção do 7 a 1 e o Hexacampeonato

Guia VAVEL da Copa do Mundo 2018 : Brasil
Foto: Editoria de Arte/VAVEL Brasil

Após a marcante eliminação para a Alemanha, na Copa de 2014, o Brasil sofreu uma grande reformulação de jogadores. Somente seis atletas (menos de 30%) que estiveram em campo no 7 a 1 para a Alemanha, foram convocados para o Mundial deste ano.

De início, José Maria Marin, ainda presidente da CBF contratou Dunga para ser o treinador da Seleção Brasileira. O ex-jogador, capitão e campeão do mundo em 1994, não fez um bom trabalho e amargou diversas derrotas que pressionaram por sua demissão. Sua saída só ocorreu após a eliminação na Copa América Centenário, quando o Brasil perdeu para o Peru e saiu da competição ainda na primeira fase. Naquele momento, o Brasil era o atual sexto colocado nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo. 

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Com sua saída, a CBF contratou o nome que mais agradava a todos. Tite chegava respaldado por ótimos trabalhos dirigindo o Corinthians. A partir daí, uma "revolução" aconteceu com a equipe que passou a apresentar um futebol muito mais atraente do que com Dunga. Tite conseguiu levar a equipe a primeira colocação das Eliminatórias e conquistou a vaga para a Copa com algumas rodadas de antecedência. 

Expectativa

O povo brasileiro aguarda o tão sonhado hexacampeonato mundial. Já se passaram 16 anos desde a última conquista brasileira em 2002, no Japão. O jejum incomoda. Acima de tudo, pois havia uma grande vontade de levantar a taça em casa, em 2014.

Com o atual futebol apresentado, é notório que a equipe irá disputar com muito mais chance o título. Tudo depende de como será o chaveamento a partir das oitavas de final. Ser primeiro colocado é importante para não ter que pegar de cara uma grande Seleção na primeira partida da fase eliminatória. 

Convocados  

Goleiros
Alisson (Roma), Ederson (Manchester City) e Cássio (Corinthians)

Laterais
Danilo (Manchester City), Fagner (Corinthians), Marcelo (Real Madrid) e Filipe Luís (Atlético de Madrid)

Zagueiros
Miranda (Inter de Milão), Marquinhos (PSG), Thiago Silva (PSG) e Pedro Geromel (Grêmio)

Volantes
Casemiro (Real Madrid), Fernandinho (Manchester City), Paulinho (Barcelona) e Fred (Shakhtar Donetsk)

Meias
Renato Augusto (Beijing Guoan), Philippe Coutinho (Barcelona) e Willian (Chelsea)  

Atacantes
Neymar (PSG), Gabriel Jesus (Manchester City), Douglas Costa (Juventus), Roberto Firmino (Liverpool) e Taison (Shakhtar Donetsk)

Destaque: Neymar

A relação de Neymar da Silva Santos Júnior com o futebol começou muito cedo. Nascido em Mogi das Cruzes (SP), já aos seis anos, Ney chamou a atenção do observador técnico Roberto Antônio dos Santos, o Betinho, que havia lançado Robinho e a partir daí, passou a jogar futsal em diversas quadras da Baixada, até despertar a curiosidade dos ex-jogadores do Santos, Lima e Zito, que tiveram papel fundamental para que o garoto rumasse ao Peixe, em 2003. Desde os primeiros contatos com a bola, Neymar já esbanjava habilidade e técnica. 

Em evidência com tudo que aconteceu até a metade da temporada de 2010, Neymar se tornou alvo de clubes da Europa. Primeiro, o Santos rejeitou uma oferta de 12 milhões de euros (R$ 36 milhões) do West Ham, e em seguida, foi a vez do Chelsea oferecer aproximadamente 20 milhões de libras (R$ 75 milhões). Apesar disso, a diretoria do Peixe conseguiu manter o craque no seu elenco. Em 2011, Neymar continuou tendo atuações brilhantes durante o Campeonato Brasileiro. Apesar da derrota por 5 a 4 para o Flamengo, na 12º rodada da competição, o atacante marcou um golaço, eleito o mais bonito no Prêmio Puskas, entregue pela Fifa.

Em 24 de maio de 2013, uma reunião entre Odílio Rodrigues, então vice-presidente do Santos, e o pai de Neymar, definiu a venda do jogador. O seu destino só seria conhecido na noite do dia seguinte, quando o craque anunciou que iria para o Barcelona. Estava encerrada, assim, uma novela que durava anos e que havia se intensificado em 2013.

Antes de mudar-se para a Europa, Neymar foi o destaque da seleção brasileira na conquista da Copa das Confederações. Na final contra a Espanha, vencida por 3 a 0, marcou um gol e participou ativamente dos ataques do Brasil. Se anos antes, no Mundial de 2011, o brasileiro havia perdido para o Barça, na temporada 13-14 Neymar se tornou companheiro de Messi e os atletas do clube catalão.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Neymar fez boa Copa do Mundo em 2014, marcando quatro gols em cinco jogos. Porém, após a lesão na vértebra, em lance com Zuñiga, da Colômbia, pelas quartas de final, o camisa 10 ficou de fora do Mundial e viu seus companheiros perderem por 7 a 1 contra a Alemanha, na semifinal

A temporada 2014-15 pelo Barcelona fez com que o revés na Copa do Mundo ficasse para trás: com o Barça, Neymar conquistou a Liga dos Campeões, a Copa do Rei e o Campeonato Espanhol.

Quatro anos depois da derrota em Londres 2012, a vitória na Rio 2016: com direito a gol de falta no tempo normal e a cobrança que valeu título na disputa de pênaltis contra a Alemanha, Neymar garantiu o primeiro ouro do futebol brasileiro em Jogos Olímpicos.

Em agosto de 2017, o jogador se tornou a contratação mais cara da história do futebol: Neymar custou 222 milhões de euros ao Paris Saint-Germain. O camisa 10 vive grande fase, sendo o principal jogador do poderoso time francês.

Fique de olho: Taison

Talvez Taison seja o jogador mais "questionado" da lista de Tite. Apesar de ter a confiança do treinador, podemos classificar como a surpresa da convocação seu nome na lista final. 

Taison fez 21 jogos e seis gols pelo Shakhtar na temporada europeia que passou. Na Seleção, o jogador disputa posição principalmente com Neymar, Willian, Douglas Costa e Philippe Coutinho

"Fiz uma temporada muito boa. Não caí aqui de paraquedas. Não estou aqui porque sou amigo desse ou daquele. Negativo. Respeito todo mundo que vem falando isso ou aquilo. Trabalhei muito para estar aqui, estou feliz por estar aqui, estou realizando um sonho. Fiz uma temporada muito boa pelo Shakhtar, chegamos às oitavas de final da Champions League", disse.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

TÉCNICO

Adenor Leonardo Bachi, mais conhecido como Tite, tornou-se treinador em 1990 dirigindo o time do Guarany de Garibaldi. Treinou diversos times gaúchos como Veranópolis (1992-1995, 1998), ganhando a segunda divisão gaúcha em 1993.

Depois, assumiu o Ypiranga de Erechim (1996), e posteriormente o Juventude (1997). Em 2000 dirigindo o Caxias realizou uma campanha surpreendente no Campeonato Gaúcho de 2000 levando o clube a ser campeão sobre o Grêmio, que contava com Ronaldinho Gaúcho e Cláudio Pitbull. É o terceiro treinador com maior número de jogos da história do Caxias, atrás apenas de Francisco Neto e Marco Eugênio.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Somando as duas passagens, e contabilizando amistosos e jogos oficiais, foram 126 jogos com 56 vitórias, 39 empates e 31 derrotas. Em 2008, a direção do Internacional anunciou a contratação de Tite para o comando do clube. A contratação foi contestada por grande parte da torcida colorada, devido ao sucesso dele no Grêmio, arquirrival do Inter.

Desde então ele levou o time ao 6º lugar no Brasileirão de 2008 e conquistou a Copa Sul-americana de 2008, sobre o Estudiantes de La Plata, com gol de Nilmar nos últimos minutos da prorrogação. Ainda conquistou o Campeonato Gaúcho de 2009, sobre o Grêmio, além de ter feito uma boa campanha na Copa do Brasil de 2009, perdendo na final para o Corinthians. Além disso, foi vice da Recopa Sul-Americana de 2009, perdendo para a LDU de Quito. No mesmo ano, foi campeão da Copa Suruga Bank, disputada no Japão, sobre o Oita Trinita.

No mesmo ano, também leva o Grêmio à conquista da Copa do Brasil sobre o Corinthians nas finais. Houve empate na primeira partida no Olímpico por 2–2 e vitória no Morumbi por 3–1, sendo o primeiro nacional de Tite. Permaneceria no Grêmio até 2003.

Tite teve papel decisivo na redenção da Seleção Brasileira. Não só por seus conceitos táticos, mas por saber conduzir um grupo como poucos na profissão. Quer sempre melhorar o desempenho da sua equipe. Mas joga limpo com os atletas, é justo e sabe motivá-los. Assim ganhou o time. Recuperou a autoestima dos jogadores, o prazer deles em servir a seleção. Daí para que a equipe passasse a mostrar bom futebol, disciplinado taticamente e competitivo, foi um passo.

Tite defende o jogo com intensidade, com triangulações que permitam as infiltrações. Arma os times para atuar de maneira compacta e pressionando o adversário quando isso é possível. Prefere o sistema 4-1-4-1, pois com ele um dos volantes pode se transformar em meia e os meias jogam abertos.

Campanha na última Copa

A campanha do Brasil na Copa do Mundo de 2014 teve altos e baixos. Entre atuações que empolgaram e preocuparam a torcida, a seleção conseguiu chegar às semifinais do torneio no Brasil.

Na primeira partida, o time comandado por Felipão encarou a Croácia na Arena Corinthians. Depois de tomar 1 a 0 do adversário, o time virou o placar para 3 a 1 com direito a pênalti polêmico em cima do atacante Fred.

Na segunda partida, encarou o México e empatou por 0 a 0. A partida ficou marcada pela grande atuação do goleiro Ochoa, que defendeu uma grande cabeçada de Neymar. Precisando da vitória, o Brasil fez a sua melhor atuação na Copa do Mundo contra Camarões, em Brasília. Com grande atuação de Neymar, a seleção ganhou por 4 a 1.

Nas oitavas de final, o Brasil encarou o Chile e fez a sua partida mais emocionante na Copa. Após empate por 1 a 1 no tempo normal, a trave salvou o Brasil na prorrogação e, nos pênaltis, Julio César garantiu a vitória do Brasil por 3 a 2. Nas quartas de final, o Brasil ganhou por 2 a 1 da Colômbia. Mas o principal lance da partida foi a entrada de Zuñiga em Neymar, que tirou o craque brasileiro da Copa do Mundo. 

Nas semifinais, o Brasil enfrentou a Alemanha. Depois de um apagão no primeiro tempo, a seleção brasileira perdeu para os alemães por 7 a 1. O sonho do hexacampeonato do Brasil fica para 2018 para a Copa que será realizada na Rússia. 

Foto: Getty Imagens
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