Novas funções: Bruno Silva e Ramiro se readaptaram e viraram peças fundamentais

Volantes de ofício, Bruno Silva e Ramiro se tornaram mais ofensivos para ajudar o esquema tática dos seus clubes

Novas funções: Bruno Silva e Ramiro se readaptaram e viraram peças fundamentais
(Foto: Sergio Santana)
(Editoria de Arte/VAVEL.com)
(Editoria de Arte/VAVEL.com)

 “No futebol não há mais posição e, sim, função”. Com a modernização dos esquemas táticos e, principalmente, na Europa, tem se repetido muito a frase: A afirmação faz referência aos jogadores que precisam se adaptar às necessidades do jogo, do adversário e das táticas de seus clubes. Assim, passam a remodelar suas funções “tradicionais”, como fizeram Bruno Silva, no Botafogo de Jair Ventura e, Ramiro, no Grêmio de Renato Portaluppi

Ao pensar na posição de volante, logo se associa a questão defensiva – destacando ainda o seu outro nome: médio defensivo. Era aquele jogador muito ligado à marcação, atento à saída dos laterais, sem infiltrar muito ou passar do meio campo. Com o tempo, isto se modificou e o volante passou a chamar muito a atenção por realizar a transição de defesa-ataque com qualidade nos passes e liberdade para participar da criação e conclusão de jogadas.

Foi nesse novo cenário que Bruno Silva e Ramiro se destacaram e viraram peças fundamentais de sua equipe na temporada 2017. Com Renato Gaúcho, Ramiro passou a jogar como extremo pela direita, com liberdade para entrar na área e atacar. Já o volante de General Severiano se tornou “onipresente”, também do lado direito, com Jair Ventura. Bruno Silva está presente nos contra-ataques, nas jogadas de bolas aéreas e até fechando o time como um ponta-direita.

O CAMISA 17 DE RENATO GAÚCHO

Segundo colocado no Campeonato Brasileiro, um dos 4 melhores da Copa do Brasil, classificado para as quartas-de-final da Libertadores e, para muitos, “com o melhor futebol do Brasil”: esse é o Grêmio de Renato Portaluppi. Um time com o esquema tático baseado no 4-2-3-1, que gosta de ter a posse de bola, trocar passes rápidos e verticalizar as jogadas. Em jogos do tricolor gaúcho é normal ver a saída de bola pelas laterais, com as dobradinhas entre laterais e extremos e é aí que Ramiro entra.

Titular desde a chegada do atual treinador, o volante se transformou em uma das peças mais importantes do tricolor. Uma das explicações é que, com a venda de Walace e a lesão de Douglas e Maicon, o Grêmio precisou modificar o seu modelo de jogo. Ao invés de trabalhar por dentro, com meias e atacantes, a equipe do sul passou a buscar os lados do campo para atacar e Ramiro passou a aparecer na defesa adversária, pela direita, como um elemento surpresa.

A bola inevitavelmente passa por Ramiro, prova disso é que o jogador é o líder de passes da equipe na temporada (2375). Só no Campeonato Brasileiro foram 903 passes certos e 109 passes errados. Os números de finalizações e gols também assustam para um atleta que tinha como primeira função marcar: 11 finalizações certas; 17 finalizações erradas e 9 gols na temporada. 

A capacidade de Ramiro em atuar em pelo menos três funções deixa a comissão técnica mais que satisfeita com o seu desempenho. Em vários jogos ele iniciou mais à frente e terminou recuado, como volante, auxiliou Léo Moura sem bola e Luan, virando um “10”. Útil em todas as fases.

Abaixo é possível analisar o mapa de calor do Ramiro na última partida do Grêmio pelo Campeonato Brasileiro. O jogador ocupando, basicamente, do meio de campo direito para frente. 

(Fonte: Footstats)
(Fonte: Footstats)

O CIBORGUE DE GENERAL

Assim que Bruno Silva ficou conhecido entre os seus companheiros de vestiário: ciborgue. Isso porque o volante quase não se machuca e parece não cansar. Como esquecer quando o jogador pediu para atuar na semifinal contra o Vasco, que nada valia, após jogar contra o Barcelona, pela Libertadores?

Ao chegar no Glorioso, Bruno Silva não passou uma boa impressão para a torcida, em 2016. O cenário só foi mudar no segundo turno do brasileiro daquele ano. Com a chegada de Jair Ventura, o atleta assumiu uma nova função na equipe e passou a dominar o lado direito do campo. Assim, se tornou um dos jogadores mais importantes no esquema do Botafogo e não há outros com as mesmas características no elenco. Prova disso é a queda de rendimento da equipe quando o atleta não joga, como na derrota para o Barcelona-EQU, ainda na fase de grupos da Libertadores.

Na sua função atual, Bruno Silva ganhou o apelido de “falso volante”. Isso porque a sua posição de ofício prevê que o atleta permaneça com princípios defensivos e não saia muito do meio de campo. Já o volante/meia de Jair Ventura faz pressão no lateral, fecha como ponta-direita, aparece na conclusão das jogadas e volta ao tradicional volante em momentos defensivos. Em uma equipe que não se prende a posse de bola, Bruno não precisa ficar segurando o jogo.

Em dado momento da temporada, Bruno Silva passou até a ser o artilheiro da equipe. Hoje, quem ocupa a posição é Roger. É justamente para o camisa 9 que o volante costuma dar mais assistência, uma outra virtude sua: é o líder da equipe com 8 no total.

Abaixo, o mapa de calor de Bruno Silva, contra o Flamengo, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro. Assim como Ramiro, o volante ocupa o lado direito do campo do adversário. No entanto, diferente do gremista, chegou menos à linha de fundo e à meia lua. Ramiro, também, chega a aparecer um pouco no lado esquerdo, enquanto o mapa de calor do Bruno Silva se limita ao lado direito. 

(Fonte: Footstats)
(Fonte: Footstats)