Fifa divulga relatório de 'corrupção' das Copas de 2018 e 2022
Fifa divulga relatório de “corrupção” das Copas de 2018 e 2022

Produzido pelo investigador principal de ética da Fifa, Michael Garcia, em 2014, o conteúdo do relatório foi mantido em segredo, até que o jornal alemão Bild conseguiu uma cópia do relatório e publicou nessa terça-feira (27). Feito isso, a Fifa então resolveu publicar o documento em seu site, e informou que a decisão de leva-lo a público foi tomada após o relatório, que possui 430 páginas, ter sido vazado pelo jornal.

O documento indica que o ex-presidente do Barcelona Sandro Rossel depositou um valor de 2 milhões de libras (algo em torno de R$ 6,6 milhões na cotação atual) à filha de 10 anos do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. No entanto não especifica que esse valor está relacionado à candidatura do Catar.

“Relatório de Garcia”, como está sendo chamado, ainda revelava que um ex-membro executivo (da Fifa) felicitou membros da federação do Catar e agradeceu por e-mail o pagamento de centenas de milhares de euros após a atribuição da competição ao Catar.

Segundo o jornal alemão Bild, três membros executivos da Fifa com direito a voto foram a uma festa no Rio de Janeiro em um jato privado da Federação de Futebol do Catar antes da eleição para atribuição da sede da competição.

A atribuição da sede da Copa do Mundo de 2022 ao Catar, definida em 2010, esteve envolvida em várias suspeitas de corrupção desde o início. O país asiático superou as candidaturas de Estados Unidos, Austrália, Japão e Coreia do Sul.

Uma investigação minuciosa, comandada pelo ex-procurador americano Michael Garcia, foi realizada. Após o relatório, a Câmara de Julgamento da Comissão de Ética da FIFA afirmou ter identificado comportamentos estranhos por parte de membros da Fifa, mas nada que relacionasse tudo isso à atribuição das duas próximas Copas. Essa versão eliminou Catar e Rússia de alegações de corrupção, mas criticou a conduta da Associação Inglesa de Futebol no processo de licitação.

Em 2014, Garcia criticou a decisão, e afirmou que a leitura de seu relatório – que teve apenas uma parte publicada – havia sido parcial. Porém, a Fifa diz que seu presidente Gianni Infantino sempre teve a intenção de publicar o documento completo, mas que seus ex-chefes de ética teriam o impedido.

Em outubro de 2014, um dos membros da Comissão de Ética, Hans-Joachim Eckert, afirmou que publicar o relatório na íntegra seria realmente colocar o comitê de ética da Fifa e a própria entidade em uma situação muito difícil legalmente.

A FIFA diz que tinha a intenção de discutir a divulgação do documento em uma reunião no próximo mês, mas acrescentou: “Como o documento foi ilegalmente vazado para um jornal alemão, os novos presidentes solicitaram a publicação imediata do relatório completo para evitar a divulgação de qualquer informação falsa.”, e completou da seguinte forma: “Por uma questão de transparência, a FIFA informa que este relatório já foi finalmente publicado.”

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