"Faço tudo por amor ao CSA"
Arquivo pessoal

Quando uma pessoa torce por um clube esportivo, há várias demonstrações públicas de como isso é feito. Muitos acompanham jogos, informações e seguem o time a cada deslocamento. Outros optam por adquirir produtos oficiais ou serem sócios para ajudar a equipe a manter um nível de estabilidade ou ajudar em seu desenvolvimento. E ainda tem aqueles que não dispõem de recursos financeiros e torcem tanto quanto os que podem contribuir de alguma forma. E ainda existem pessoas que doam seus recursos, tempo e energia não apenas para a instituição, mas também para a comunidade envolvida com o dia a dia do clube.

Esta última situação é o caso de Joedy Santa Rosa. Graduada em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) com mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), respectivamente, com especialização em prótese dentária, além de ser professora tanto na UFAL como na Universidade Tiradentes (UNIT). Além da óbvia e principal missão de trazer o bem-estar às pessoas por meio da saúde bucal, há o esforço para trazer seu conhecimento e amor ao que faz para o clube do seu coração.

Dida: por onde passou, fez história

Pode-se dizer que o amor ao CSA veio mesmo antes de nascer. Joedy é sobrinha de Edvaldo Alves de Santa Rosa, o Dida, ídolo do CSA, do Flamengo e campeão mundial com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958. Nascido em 1934, começou a jogar no Azulão do Mutange com 15 anos de idade e, após um amistoso entre seleções de Alagoas e Paraíba sob os olhares da delegação do Flamengo, Dida foi contratado pelo clube rubro-negro em 1954 e fez história. Em 1955, marcou os quatro gols na goleada por 4 a 1 diante do América na final do Campeonato Carioca e deu o título ao clube. Em nove anos, marcou 264 gols em 358 jogos, superado apenas pelo seu fã e maior ídolo Zico. Além disso, esteve no elenco que conquistou o primeiro título mundial da Seleção Brasileira. Era titular e foi substituído por Pelé durante a Copa. Ao deixar o Flamengo, jogou na Portuguesa de Desportos e no Junior de Barranquilla. Dida morreu aos 68 anos em 2002 e, como homenagem póstuma, tem seu nome no Museu dos Esportes em Maceió/AL.

Dida na época de jogador do Flamengo. Por onde passou, fez história. | Divulgação/Museu dos Esportes
Dida na época de jogador do Flamengo. Por onde passou, fez história. | Divulgação/Museu dos Esportes

Azulina antes do berço

Joedy nasceu no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió/AL, onde se localiza o Estádio Rei Pelé, principal palco esportivo de Alagoas e onde se localiza o Museu dos Esportes que traz o nome de seu tio. Por nascer e crescer no bairro, ficou muito envolvida com o estádio. Torcedora do CSA, desde cedo acompanha o Azulão do Mutange. Com o passar do tempo, passou a estar em caravanas e carreatas para acompanhar os jogos da equipe, além de ter estado há alguns anos à frente da Comissão Festa Azul, equipe que organiza a festa da torcida nos jogos, com faixas, bandeiras e mosaico. Pelo envolvimento desde cedo com o CSA, a odontóloga acompanhava o dia a dia da equipe e ficava ciente de todas as dificuldades financeiras do clube. Com isso, viu na sua graduação em Odontologia uma forma de ajudar a equipe.

“Quando me formei em Odontologia, procurei maneiras de colocar o meu conhecimento, praticar tudo o que aprendi durante os tempos de formação. Por conta de minha proximidade com o CSA, fui convidado por Geraldo Lessa (médico e ex-chefe do departamento clínico do clube por vários anos) para integrar o departamento médico da equipe. E, graças à oportunidade dada, pude expandir meu trabalho para atender a mais pessoas. Então passei a fornecer tratamento não apenas aos jogadores, mas ao elenco e seus familiares mais próximos, como também cuidei de funcionários e atletas das categorias de base”, disse.

Reunir saúde com futebol e ajudar a sociedade foi um dos melhores momentos de sua vida. Por isso, conseguiu trazer ao antigo Centro de Treinamento Gustavo Paiva, localizado no bairro do Mutange, as pessoas que frequentavam o CT. Apesar de gestores não terem cuidado e dado tanto seguimento como desejado, o sonho foi realizado. Por amor ao CSA, gratuitamente realizava atendimentos na sede do Azulão.

“Eu atendi a alguns treinadores e jogadores que estavam no clube em um momento que o time vivia muito mal financeiramente, rebaixado para a segunda divisão do Alagoano. Resolvi atender de graça porque eu queria estar no CSA, por amor ao time. Junto com o doutor Geraldo Lessa eu comprei vários equipamentos necessários para montar um consultório odontológico no próprio Mutange e queria não apenas atender o elenco profissional, mas os jogadores da base e crianças carentes da região. Essas pessoas vivem em situação muito difícil e não têm dinheiro para esses tratamentos e queria ajudar”, falou.

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Joedy Santa Rosa quer expandir seus trabalhos para além de seu local de trabalho. Tudo em prol do CSA | Arquivo pessoal

Situação atual do clube e projetos futuros

Joedy foi convidada a fazer parte da direção azulina, mas não se vê na política do clube. Ainda assim, quer deixar seu nome na história do clube e ajudar a manter o legado do sobrenome Santa Rosa. Atual integrante do Conselho Deliberativo, não vê no momento necessidade do time entrar em discussões para se tornar uma sociedade anônima e receber investimentos de fundos estrangeiros por ver o clube ser bem gerido e conduzido.

“Eu fiz parte de associações com alguns torcedores, sempre me procuram, já contribuí e contribuo no quanto eu puder para ver o time bem. O CSA é muito grande e quero fazer de tudo para deixar meu nome na história do CSA, quero lembrar e manter o legado do tio Dida. CSA é tudo de bom e quero vê-lo sempre no topo. O momento hoje é bem diferente de quando eu cresci e me formei. Disputamos Série A recentemente e batemos na trave duas vezes para voltar. Há uma boa gestão e a organização da equipe não requer urgente necessidade de SAF. O maior patrimônio é a torcida azulina, não se pode abandonar jamais. Com tudo o que eu faço, eu quero motivar outras pessoas a ajudarem o time a se manterem no topo. Faço tudo por amor ao CSA, expressou.

Apesar de ter o tempo ocupado com suas atividades profissionais e com a docência em instituições de ensino, Joedy não deixa de reservar períodos para aproveitar com sua família. Com exceção do marido, torcedor do arquirrival CRB, toda a família a seguiu em torcer pelo CSA. O principal objetivo é novamente implantar no novo Centro de Treinamento, localizado após o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, o que fez por anos no Mutange.

“Quero voltar a ter o projeto e já conversei com o presidente sobre isso. Já tive garantias de que será possível ter um espaço e espero poder ajudar ainda mais quando o centro de treinamento estiver pronto. Está ficando muito bonito e vai desenvolver ainda mais o clube. Eu quero deixar meu nome na história do CSA. As pessoas passam, o CSA fica. Eu amo o CSA e quero sempre vê-lo em destaque, concluiu.

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