Grêmio, Cruzeiro e Santo André: os algozes do Flamengo nas finais de Copa do Brasil
Foto: Rodrigo Rodrigues/Editoria de Arte/VAVEL Brasil

Segundo time com mais aparições em finais de Copa do Brasil - o primeiro é o Grêmio, com 8, o Flamengo alcança nesta quinta-feira (7) sua sétima participação na luta pelo título da principal competição mata-mata do país.

Coincidentemente, o Cruzeiro - adversário na decisão, também chegou à sua sétima final da CdB. Cariocas e mineiros se enfrentam nesta quinta no Maracanã às 21h45; o jogo de volta acontece no Mineirão no dia 27, no mesmo horário.

Pelo lado rubro-negro, são três títulos e três vice-campeonatos. Os troféus conquistados nos anos de 1990 (Goiás), 2006 (Vasco) e 2013 (Atlético-PR) igualam o número de vices: 1997 (Grêmio), 2003 (Cruzeiro) e 2004 (Santo André).

Grêmio de Paulo Nunes cala Maracanã lotado com quase 100 mil rubro-negros

Na final de 1997, Flamengo e Grêmio decidiram o título com dois empates. No jogo de ida no Olímpico - com 45 mil torcedores, as equipes acabaram não balançando as respectivas redes adversárias, terminando em 0 a 0 e deixando a disputa em aberto para o confronto de volta.

Confiantes no título, mais de 95 mil torcedores lotaram o Maracanã para empurrar o Rubro-Negro na luta pelo bicampeonato da Copa do Brasil. À época, o ataque carioca era liderado por ninguém mais ninguém menos que Romário e Sávio.

A festa virou preocupação logo aos 6' do primeiro tempo, quando João Antônio abriu o placar para os visitantes. Apesar do susto, a torcida continuou empurrando o Flamengo e aos 30', o meia Lúcio - saindo do banco de reservas ao substituir o lesionado Sávio, conseguiu igualar o marcador em seu primeiro toque na bola.

Com o empate, o Maracanã se tornou território hostil para o Grêmio de Paulo Nunes, que se viu em maus lençóis quando o baixinho Romário virou para os anfitriões aos 41'. Depois do gol, gritos de "Ah, eu tô maluco!" vindos das arquibancadas do maior estádio do mundo comandavam a festa rubro-negra.

No entanto, já aos 34' do segundo tempo, Carlos Miguel tratou de calar os quase 100 mil rubro-negros no Maracanã, empatando o confronto em 2 a 2. Pelo critério do gol fora de casa, o time de Porto Alegre sagrou-se campeão daquele ano. Ainda deu tempo dos quase cinco mil torcedores gremistas no Maracanã provocarem os rubro-negros, entoando os gritos de "Ah, eu sou gaúcho!".

Gol de Alex de letra no Maracanã: Flamengo sucumbe no Mineirão e é vice novamente

Retornando à decisão da Copa do Brasil após seis temporadas, o Flamengo tinha pela frente o poderoso Cruzeiro de Alex, Deivid e Aristizábal em 2003. O elenco rubro-negro não deixava a desejar, com grandes nomes como Felipe e Edílson.

Na partida de ida, o Maracanã estava lotado com 75 mil torcedores rubro-negros. Foi dia de homenagens ao título do Mundial de 1981, com Adílio e Nunes andando pelos gramados com o troféu da maior conquista da história do Flamengo.

Em campo, o jogador de basquete e rubro-negro Oscar Schmidt deu o pontapé inicial para um confronto bastante equilibrado. Apesar das 30 mil cornetas disponibilizadas aos torcedores do Flamengo para atrapalhar o Cruzeiro, o barulho ensurdecedor foi cessado por Alex aos 30' da etapa final, com um golaço de letra.

Iluminado, Fernando Baiano entrou já no segundo tempo e nos acréscimos, empatou o placar em 1 a 1, fazendo a festa da massa rubro-negra no Maracanã. "Jesus, Jesus no meu coração. Amém, glória a Deus, Ele é justo", foram as palavras do atacante na saída de campo após o apito final.

De letra, Alex abre o placar no Maracanã; gol calou mais de 75 mil rubro-negros presentes no estádio | Foto: Reprodução/Internet
De letra, Alex abre o placar no Maracanã; gol calou mais de 75 mil rubro-negros presentes no estádio | Foto: Reprodução/Internet

No jogo de volta, a torcida cruzeirense compareceu em peso no Mineirão, confiantes no título da Copa do Brasil. Em 30 minutos, os mais de 80 mil torcedores presentes no estádio presenciavam um show dos donos da casa: Deivid (1'), Aristizábal (16') e Luisão (28') marcaram para o Cruzeiro, abrindo 3 a 0.

Sem muito o que fazer, só restava ao Flamengo lamentar o segundo vice-campeonato da competição com o revés por 3 a 1. Fernando Baiano, autor do empate no Maracanã, chegou a diminuir aos 19' da etapa final. Nada que estragasse a linda festa feita pela torcida celeste no Mineirão, que comemorava seu tetracampeonato da Copa do Brasil e mais tarde, naquele ano, confirmaria a histórica Tríplice Coroa.

Histórico esquadrão cruzeirense que conquistou a Tríplice Coroa de 2003 | Foto: Divulgação
Histórico esquadrão cruzeirense que conquistou a Tríplice Coroa de 2003 | Foto: Divulgação

Favorito, Flamengo sucumbe perante Santo André no Maracanã em 2004

Na temporada seguinte ao vice para o Cruzeiro, o Flamengo voltou a disputar o título da Copa do Brasil. O time de Abel Braga tinha pela frente o pequeno Santo André - que já havia eliminado Atlético-MG e Palmeiras na competição daquele ano.

O palco escolhido para o jogo de ida foi o Palestra Itália. Apesar da partida ser em São Paulo, a torcida do Flamengo estava em maior número em relação ao adversário.

Aos 25', Roger abriu o placar para os visitantes; demonstrando poder de reação, o time comandado por Péricles Chamusca conseguiu virar o placar com gols de Osmar e Romerito, mas aos 38', Athirson empatou para os cariocas em 2 a 2, garantindo uma leve vantagem no critério dos gols fora de casa para o confronto de volta no Maracanã.

Com mais de 70 mil torcedores, o Flamengo estava confiante no título para acalmar os ânimos da torcida. À época da decisão, em junho, a equipe carioca ocupava o penúltimo lugar do Campeonato Brasileiro com apenas oito pontos na tabela (terminou a edição em 17º). Nervosos, os jogadores rubro-negras não desepenharam um bom futebol no primeiro tempo, com muitos passes errados e finalizações sem direção.

Na etapa complementar, o balde de água fria. Os visitantes aproveitaram sua principal arma - a bola aérea logo aos 7'. Completamente livre na risca da pequena área, Sandro Gaúcho cabeceou, sem chances para Júlio César.

Quando os donos da casa tentaram se organizar na busca pelo empate, veio o segundo gol. Aos 23', Elvis completou cruzamento da esquerda e desviou para a meta adversária, balançando as redes do Flamengo pela segunda vez na noite, praticamente selando o título inédito e histórico para o clube do ABC Paulista.

Completamente perdido e sem poder de reação, o Flamengo sucumbiu perante o adversário e a seu próprio desespero, culminando nos gritos de "Timinho, timinho" por parte de sua própria torcida, que, confiante no bicampeonato, lotou o Maracanã naquela noite do dia 30 de junho de 2004.

Elvis foi o grande carrasco rubro-negro naquela noite de junho | Foto: Reprodução/Youtube
Elvis foi o grande carrasco rubro-negro naquela noite de junho | Foto: Reprodução/Youtube

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