Guia VAVEL do Brasileirão 2019: CSA
(Foto: Arianna Lacerda/VAVEL Brasil)

Guia VAVEL do Brasileirão 2019: CSA

Após 32 anos, o Centro Sportivo Alagoano está de volta à primeira divisão do futebol brasileiro

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Leonardo José

Sim, o Azulão está de volta à Série A! O ano de 2019 é bastante especial para a equipe alagoana, pois volta a participar da elite do futebol nacional desde 1987, longos 39 anos de ausência da primeira divisão. Em todo esse tempo, os azulinos subiam e desciam de série inferiores, sem conseguir se firmar em nenhuma delas.

Entretanto, após o vexame de não participar de nenhuma divisão em 2015, a  diretoria fez um belíssimo trabalho administrativo e alcançou o topo da recente história maceioense dando o rótulo de primeiro clube do Brasil a ter três acessos consecutivos em divisão nacional.

Com os grandes clubes sempre em foco, talvez os mais jovens e menos antenados ao futebol brasileiro não tenham ouvido falar em CSA até 2017, quando o clube conquistou a Série C. Todavia, é necessário resgatar do fundo baú um vice-campeonato de Copa Conmebol (atual Sul-Americana) que o Azulão chegou, perdendo para o Talleres-ARG na final da competição continental.

Quando um torcedor do time bicolor for questionado sobre em qual década seu time viveu o auge, a resposta será fácil: a década de 1980. Foi nela, aonde o CSA conquistou seus três vices da Taça de Prata (Série B da época): 1980, 1982 e 1983. Contudo, é hora de viver o presente e ver do que os maceioenses são capazes de fazer em seu histórico retorno à elite nacional.

Felipão, que fez primeiro trabalho como técnico no CSA, Marta, torcedora fanática do Azulão, e o cantor Eliezer, também torcedor ativo do clube, são frequentemente homenageados (Foto: Divulgação/CSA)
Felipão, que fez primeiro trabalho como técnico no CSA, Marta, torcedora fanática do Azulão, e o cantor Eliezer, também torcedor ativo do clube, são frequentemente homenageados (Foto: Divulgação/CSA)

Escalação

Para 2019, o CSA renovou boa parte de seu elenco visando a Série A. Foram contratados 14 jogadores até o início da competição nacional, alguns bem rodados em outros grandes times: Apodí (ex-Chape), Pablo Armero (ex-Palmeiras), Matheus Sávio (ex-Flamengo), Ronaldo Alves (ex-Sport), Manga Escobar (ex-Vasco), Carlinhos (ex-Fluminense e São Paulo), Madson (ex-Santos) e Jordi (goleiro ex-Vasco, que ainda não estreou) são exemplos.

A experiência e a rodagem desses veteranos são essenciais para os outros nove jogadores que jamais disputaram a Série A, como o jovem volante e titular Dawhan, de 22 anos. Dessa forma, usando como parâmetro a disputa do Campeonato Alagoano e da Copa do Nordeste, Marcelo Cabo tem seu time titular com: João Carlos (Jordi); Apodí, Ronaldo Alves, Luciano Castán e Carlinhos (Armero); Dawhan e Mauro Silva; Matheus Sávio, Didira e Robinho; Patrick Fabiano.

Lembrando que o CSA foi bicampeão alagoano em 2019 ao bater o CRB nos pênaltis (Foto: Divulgação/CSA)
Lembrando que o CSA foi bicampeão alagoano em 2019 ao bater o CRB nos pênaltis (Foto: Divulgação/CSA)

Destaque

Numa equipe que joga na base do coletivo, é difícil apontar apenas um jogador como destaque. Entretanto, todas as jogadas do CSA passam pelos pés do maestro Didira, de 30 anos, o único alagoano do atual elenco. O veterano chegou ao azulino em 2016, ainda na Série D. Trouxe o time à elite e é o que o torna xodó da torcida azulina. Além de "Didishow", o centroavante matador Patrick Fabiano também tem holofotes direcionados a si. Com 31 anos, ele deixou o futebol árabe depois de sete temporadas e voltou ao Brasil, para o CSA, onde chegou e assumiu a titularidade. Até antes da estreia, soma nove gols em 18 jogos e é o artilheiro azulino no ano.

Didira é o xodó da torcida azulina (Foto: Reprodução/CSA)
Didira é o xodó da torcida azulina (Foto: Reprodução/CSA)

Fique de olho

Em contraponto ao veteranos, o volante Dawhan pode ser a grande surpresa do time na Série A. O garoto tem 22 anos e chegou ao Azulão em 2017, vindo da base do Corinthians. Já soma 87 jogos em três anos no clube e tem a titularidade garantida.

Boa parte da imprensa alagoana, compara o estilo de Dawhan com o de Pierre, aquele ex-Palmeiras e Atlético-MG: marcador de perto, insistente e com qualidade no passe para o maestro Didira.

Volante Dawhan é pitbull do meio de campo maceioense (Foto: Reprodução/CBF)
Volante Dawhan é pitbull do meio de campo maceioense (Foto: Reprodução/CBF)

Técnico

Marcelo Cabo. Esse é o nome do comandante responsável por organizar todo o grupo maceioense. Chegou ao CSA em 2018 com o reconhecimento de ter sido campeão da Série B com o Atlético-GO em 2016.

No ano que começou nos alagoanos, foi campeão estadual, tirando o clube da fila de 10 anos sem a conquista do campeonato de Alagoas. Em 2019, postou seus onze numa forma que ataca pelo meio, mas com subidas agudas dos laterais. Nas ofensivas, Patrick Fabiano é a referência do time de Cabo. Com isso, tornou a vencer o estadual>] e é bicampeão de Alagoas.

Como o acesso e o bicampeonato alagoano conquistado em 2019, Cabo está nas graças da torcida (Foto: Reprodução/CSA)
Como o acesso e o bicampeonato alagoano conquistado em 2019, Cabo está nas graças da torcida (Foto: Reprodução/CSA)

Estádio

Ah, o Trapichão... O Estádio Rei Pelé é a casa do Azulão desde 1970, ano da inauguração do estádio localizado no bairro Trapiche da Barra, em Maceió. Atualmente, tem capacidade para 19.105 torcedores. Vale lembrar, que o recorde de público aconteceu justamente na partida inaugural, onde o Santos — de Pelé — bateu a Seleção Alagoana por 5 a 0.

O nome "Rei Pelé" foi posto no estádio porque a Seleção Brasileira, liderada por ele, havia acabado de conquistar o tricampeonato mundial. Simpatizante do Rei, o governador militar de Alagoas, Lamenha Filho, colocou o nome do craque nacional no campo. Entretanto, o nome oficial do Trapichão pode ser mudado nos próximos anos já que há diversos pedidos legais ao Ministério Público para uma nova nomenclatura: "Ranha Marta", em homenagem à melhor jogadora brasileira de todos os tempos, que é alagoana e torcedora fanática e ativa do CSA.

O Trapich
O Trapichão também é a casa do CRB, o outro time da capital alagoana (Foto: Reprodução/CBF)

Posição em 2018

O que dizer de 2018? Um ano extraordinário para o CSA. Logo no Campeonato Alagoano já veio a um título, em cima do maior rival, o CRB. Foi a 38ª conquista estadual do Centro Sportivo, sendo o maior campeão de Alagoas. Porém, a cereja do bolo do ano passado não é essa, mas sim a passagem à Série A.

Na segunda rodada, da Série B estava em oitavo lugar, mas depois disparou à ponta. Foram 34 das 38 rodadas no G-4, sendo 23 delas na vice-liderança. O CSA terminou o Brasileiro 2018 na segunda colocação, com 62 pontos. Venceu 17 partidas, empatou 11 e perdeu dez. Marcou 51 gols e sofreu 37, saldo de 14. Didira foi um dos destaque individuais do time na temporada. Fez 13 gols em 2018, sendo sete apenas na Série B, e virou o artilheiro do time. Contudo, Marcelo Cabo falou sobre como trabalhou o elenco vitorioso azulino:

"Aprendi uma coisa com o grande mestre Marcos Paquetá, meu amigo, meu irmão e minha grande inspiração como treinador. 'Cabinho, não tira o que seu jogador tem de melhor. Se teu jogador sabe driblar, potencializa isso'. O acesso é uma sensação indescritível, ainda mais num clube gigante que não subia à Série A desde 1987. Muito gratificante."

Torcida azulina voltará ao Trapichão em jogo de Série A (Foto: Divulgação/CSA)
Torcida azulina voltará ao Trapichão em jogo de Série A (Foto: Divulgação/CSA)

Expectativa para 2019

A grande ambição do time alagoano é permanecer na Série A, firmar-se entre os 16 clubes. É claro, que uma vaguinha na Sul-Americana seria épico e muito bem-vinda, porém não se pensa nisso atualmente no CT do Mutange.

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