Dirigentes e políticos protagonizam pressão para retomada indevida do futebol brasileiro
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O mundo está em situação de pandemia devido ao coronavírus. Desde março tudo parou. Comércios fechados, eventos esportivos importantíssimos, como as Olimpíadas, foram adiados, campeonatos de futebol paralisados, automobilismo, enfim, tudo que envolve o cotidiano e o mundo esportivo.

Com o passar do tempo alguns países tiveram curva descendente dos casos de contaminação, como, por exemplo, a Alemanha, que retornou com os jogos da Bundesliga no fim de semana passado, realizando jogos sem torcida e seguindo protocolos de segurança rigorosos para garantir o bem estar de quem compõe o espetáculo.

No Brasil, finalmente chegamos no período de alta dos casos. Na quinta-feira (21), batemos a marca de aproximadamente 1.200 mortes causadas pelo vírus. Nesse momento importantíssimo na história do país, onde estamos a mercê de decisões dos governantes que em nada favorecem o povo, encontramos outro "inimigo". 

O futebol é patrimônio histórico e cultural, principalmente em nosso país. Historicamente e economicamente o esporte afeta diretamente o cotidiano de nossa sociedade. Diante da situação de pandemia, onde a saúde e as vidas são a preocupação no momento, alguns clubes do país estão se movimentando para retomar os treinamentos e até retomar campeonatos estaduais.

Sim, estou falando diretamente da situação no Rio de Janeiro. Mais precisamente sobre Flamengo e Vasco. Nesta semana o presidente do clube da Gávea e do clube Cruzmaltino, Rodolfo Landim e Alexandre Campello, respectivamente, foram a Brasília conversar com o Presidente da República, Jair Bolsonaro — este que frequentemente toma atitudes que colocam em cheque sua preocupação com a saúde de nosso povo.

Resultado da pressão

Pois bem, na quinta (21), o presidente se reuniu com o prefeito do estado do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, para falar sobre a retomada do estadual. Atitude claramente tomada após ser pressionado pelos presidentes dos clubes citados. Hoje, 22, saiu a decisão de que os treinos serão liberados com condições pré-estabelecidas na cidade maravilhosa, mas ainda sem data definida, um dos estados que mais sofrem com o vírus e que está a beira de um colapso nos hospitais públicos.

Antes mesmo da decisão, o Flamengo já treinava mesmo sem autorização do estado, colocando-se acima das autoridades e pressionando ainda mais a liberação. A pergunta que fica é: O futebol é realmente algo necessário neste momento triste que estamos passando? Mesmo em um período de curva ascendente de mortes?

A resposta obviamente é não. Pra ser sincero não vejo o maior sentido em executar treinos físicos nos centros de treinamento. O motivo? Simples: mesmo se ignorássemos a situação trágica que vivemos, os campeonatos não são formados apenas por clubes grandes do estado. Existem outros de menor poderio financeiro que não tem as mínimas condições de dar toda a assistência necessária para a retomada dos jogos. 

Em curva ascendente de mortes, sem condições dos clubes darem todo o suporte de segurança aos atletas e funcionários, e sem previsão de volta dos jogos, qual o motivo de retomar treinos físicos sem ter ao menos previsão de jogos? Ir ao CT e não poder fazer treino físico e nem tático, qual a vantagem? 

Qual a real intenção?

Fica claro que além de ignorar a situação que vivemos, alguns dirigentes estão tomando essa postura apenas pela questão econômica. As notas afirmando que o clube tem condições de cumprir com a segurança de jogadores e familiares, é utilizada apenas para mascarar a real intenção que não é nada mais além de econômica. 

Vale destacar que o retorno de treinamentos não deve ocorrer apenas no estado carioca. Minas Gerais e Rio Grande do Sul já haviam autorizado a volta anteriormente. Apesar de serem locais que não estão sofrendo tanto quanto Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus, a retomada também deveria ser repensada pelos mesmo motivos citados anteriormente.

Futebol neste momento no Brasil é algo inviável, e a cogitação de um possível retorno não só é irresponsável como também vergonhoso.

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