Raio-X do Mundial de Vôlei Feminino (Grupo A)
Japão na Liga das Nações 2018  (Reprodução do site da FIVB)

Raio-X do Mundial de Vôlei Feminino (Grupo A)

Conheça o perfil, história e perspectivas de Japão, Holanda, Alemanha, Argentina, México e Camarões

jonvicosta
Jon Costa

O Grupo A é encabeçado pelo Japão, país sede. As atenções se voltam também para a Holanda, semifinalista nos Jogos do Rio.

Japão

Quando os primeiros Mundiais foram realizados, no início dos anos 1950, o Japão praticava um vôlei cujas regras destoavam do restante do planeta. Menos de uma década depois, o país, adaptando-se rapidamente, assumiria a condição de superpotência ao lado da URSS, graças a um estilo de jogo inovador, que castigava o rival com defesas impensáveis e recorria à velocidade e a fintas no ataque. Mas a exclusividade desse modelo tinha dias contados, e, sem algo novo e com limitações físicas, o Japão foi saindo de cena. Há pouco, uma chacoalhada na letargia levou as nipônicas de volta ao pódio em Mundial, Olimpíadas e Grand Prix. Um déjà vu muito desfrutado pelos amantes do esporte.

Perspectivas. Apesar de um ciclo com resultados modestos, o Japão sonha repetir a performance que obteve na última vez em que sediou o Mundial, em 2010, quando foi bronze. Estar no final six, porém, é a meta mais acessível. Seus maiores oponentes nesta labuta são Holanda na primeira fase de grupos e Brasil e Sérvia na segunda.

Como se classificou. Sede pela quinta vez, o Japão se classificou automaticamente para seu 16º Mundial – só não esteve em 1952 e 1956.

A comandante. Em 2016, após as Olimpíadas, Kumi Nakada, 53, foi escolhida para a difícil missão de substituir Manabe, técnico que, em oito anos de trabalho, reconduziu o Japão ao pódio dos grandes torneios. A ex-levantadora disputou três Jogos e foi prata em 1984. Como treinadora, esteve à frente do Springs em três títulos japoneses.

O time. No último torneio continental, a versátil Shinnabe (28), que atua tanto como oposta quanto na ponta, foi a MVP, mostrando consistência na recepção, no saque e no ataque. Tominaga, 29, a melhor levantadora do GP-2017, deve prevalecer na disputa com Tashiro, 27, pela titularidade. No meio de rede, as preferidas de Nakada são Iwasaka, 28, premiada no Asiático ano passado, e Araki, 34. As ponteiras Ishii, 27, e Koga, 22, foram as melhores jogadoras da liga japonesa nas temporadas recentes.

Últimas temporadas. Em 2017, após dez anos, as japonesas reconquistaram a Ásia, batendo a China na semifinal (3 a 0) e a Tailândia na decisão (3 a 2). Em 2015, tinham terminado em sexto. Ainda naquele ano, não foram além do quinto lugar na Copa do Mundo, sem êxitos sobre as principais forças. Na Rio-2016, venceram Argentina e Camarões nos grupos e perderam para os EUA nas quartas (0 a 3). Nas edições recentes do Grand Prix, a única vez em que chegaram ao final six foi em 2015, concluindo em sexto. Neste ano, terminaram em décimo, com sete triunfos em 15 jogos – um deles sobre a Itália. Na Copa dos Campeões-2017, apesar da vitória sobre o Brasil (3 a 2), foram quinto entre seis times.

Tri Mundial. Em 1959, o Japão foi escolhido como sede das Olimpíadas de 1964, a primeira a incluir o vôlei. A exigência de um bom empenho levou à criação de um time permanente, treinado por Hirofumi Daimatsu, o inventor da defesa com peixinho em rolamento. Foram recrutadas operárias de uma fábrica de tecidos, que treinaram exaustivamente, à base de gritos, xingamentos, agressões e exercícios reiterados, dia após dia, com raros momentos de descanso, até atingir o nível da potência da época, a União Soviética. Os primeiros resultados apareceram já em 1960, com o vice-campeonato mundial. Para 1962, o Japão aprimorou mais ainda seu estilo de jogo, caracterizado pela tríade: defesa forte, ataque veloz e movimentação incessante das jogadoras. As demais equipes não estavam preparadas para lidar com tamanha revolução tática, nem mesmo a URSS, que sofreu um revés de virada por 3 a 1 e viu sua hegemonia ser aniquilada sem cerimônia. Em 1967, o Japão conquistou o bicampeonato, em casa, jogando contra três adversários apenas, pois os times do Leste Europeu boicotaram o evento, em solidariedade à Alemanha Oriental e à Coreia do Norte, que tiveram hino e bandeira censurados. Nos torneios seguintes, as rivais voltaram a duelar pelo ouro, com vitória soviética em 1970 (3 a 1) e japonesa em 1974 (3 a 0).

Curva descendente. A prata de 1978, após revés em sets diretos para Cuba, encerrou uma sequência de seis pódios consecutivos do Japão em Mundiais. A partir de 1982, quando terminou em quarto, os resultados foram decaindo. Até que, em 2010, o grito, preso na garganta há tempos, se soltou para festejar o bronze com uma vitória em cinco sets sobre os Estados Unidos. Méritos para o técnico Masayoshi Manabe, responsável por desenhar um sistema tático que, para compensar a baixa média de altura de suas atletas, em torno de 1,78, abdicou das centrais e privilegiou as pontas. A final só não veio por causa de uma derrota para o Brasil no tie-break, em jogo de quase três horas, que frustrou os 11 mil torcedores presentes à arena em Tóquio.

Bi olímpico. Na fase áurea, o Japão foi medalha de ouro nas Olimpíadas de 1964 e 1976 e prata nas de 1968 e 1972, sempre revezando com a URSS. O boicote nos Jogos de 1980 não permitiu o desempate direto. O bronze de 1984 já mostrava que o jogo nipônico se tornara ultrapassado. Outro terceiro lugar seria alcançado em 2012, ainda sob o comando de Manabe, após derrota para o Brasil e vitória sobre a Coreia do Sul. Em Copas do Mundo, são registrados um ouro (77) e duas pratas (73 e 81). Como o Campeonato Asiático foi criado tardiamente, em 1975, o Japão não pôde estabelecer nele uma hegemonia. Pelo contrário, viu a China tomar as rédeas nos anos 1980 e abrir larga vantagem no ranking de títulos: 13 a 4. Na Copa dos Campeões, são dois bronzes (2001 e 2013). No Grand Prix, o Japão, presente em todas as edições, conquistou sua única medalha em 2014, a de prata, após derrota para o Brasil na rodada derradeira do hexagonal.

 

Holanda

Depois de muito tempo na escolta, a Holanda se firmou no primeiro escalão do vôlei feminino nesta década. O elenco atual ainda não mostra força suficiente para entrar nos grandes torneios como favorita ao ouro. Falta um título de peso para gozar de tamanho respeito. Mas já fez o bastante para criar no seu público a impressão de que pode, cedo ou tarde, seguir os passos do time masculino dos anos 1990. É bom não deixar as chances passarem.

Perspectivas. A Holanda brigará pelo primeiro lugar do Grupo A contra o Japão. O encontro entre as duas se dará na segunda rodada. Pelos resultados recentes, o time é um dos cotados para figurar no final six e corre por fora na briga por pódio. Uma medalha seria algo inédito na história do vôlei feminino do país. A ausência de Kruijf coloca os planos sob risco, mas o técnico Morrison teve tempo para remontar seu sexteto ideal.

Como se classificou. Para chegar ao seu 14º Mundial, o oitavo em sequência, a Holanda passou pela repescagem europeia. Na disputa por uma vaga direta, ela ficou atrás de Azerbaijão no Grupo E. Depois, em casa, ganhou de Bulgária, Bélgica, República Checa, Eslovênia e Grécia.

O comandante. Substituto de Giovanni Guidetti, o norte-americano Jamie Morrison, 37, vive, desde 2017, o maior desafio de sua carreira. Antes, ele fora assistente de McCutcheon na seleção masculina de seu país, com a qual foi ouro em Pequim, e de Karch Kiraly na feminina, campeã do último Mundial.

O time. A base é formada pela oposta Slöetjes, 27, pela levantadora Dijekema, 28, e pela ponta Buijs, 26. As três foram as melhores em suas posições no último Europeu. O sexteto titular também tinha a central Beliën, 24, e a ponta Balkestein, 29. Kruijf, contundida, não irá ao Mundial e cederá sua vaga no meio de rede a Lohuis, 22. Cotada para ser uma das grandes atacantes desta geração, Plak, 22, ainda não se firmou.

Holanda faz a festa no Europeu-2015 (Reprodução do site da CEV)

 

Últimas temporadas. A Holanda se mostrou consistente neste ciclo. Foram dois vices no Europeu. Em 2015, eliminou Polônia (3 a 1) e Turquia (3 a 0) antes de perder para a Rússia (3 a 0), sem mostrar muita resistência. Em 2017, teve de disputar os playoffs, fazendo caminho mais longo até a decisão. Passou por Croácia (3 a 0), Itália (3 a 0) e, no sufoco, por Azerbaijão (3 a 2), se rendendo à Servia depois (3 a 1). Nas Olimpíadas-2016, registrou a melhor campanha de sua história, alcançando às semifinais, em que perdeu para a China (3 a 1). Acabou em quarto, após revés para os EUA (3 a 1). No Grand Prix, participou do final six nos últimos três anos e foi bronze em 2016 ao vencer a Rússia em cinco sets. Em 2018, não se classificou num grupo com Brasil e China.

Saindo de fininho em Mundiais. Em suas 13 participações no torneio, da primeira em 1956 à última em 2014, a Holanda nunca terminou acima do sétimo lugar, sua posição em 1998, quando caiu para Brasil e Rússia na segunda fase de grupos. Em 2014, também se despediu no mesmo estágio, e um dos algozes foi o time norte-americano, para quem vendeu caro uma derrota no tie-break. No fim, se classificou em nono.

Topo da Europa e do GP. Duas gerações diferentes deram à Holanda seus únicos títulos no vôlei feminino: o Europeu-1995 e o Grand Prix-2007. No primeiro, estava em casa e bateu a favorita Rússia na semifinal (3 a 1) e a Croácia na decisão (3 a 0). No segundo, depois de uma fase preliminar oscilante, esteve impecável no final six, disputado em pontos corridos, vencendo Brasil, Rússia e China no tie-break, além de Polônia e Itália. No torneio doméstico, além do ouro, foram conquistadas também duas pratas (1991, 2009, 2015 e 2017). E no GP, um bronze. Em Olimpíadas, são três presenças, com duas quartas (1992 e 1996) e uma semi (2016).

Argentina

Mais de cem anos de prática. O vôlei é velho conhecido dos argentinos, mas até hoje, no feminino, não reuniu times capazes de levar a bandeira do país aos pódios internacionais. Nem na América do Sul, outrora dominada pelo Peru e, agora, pelo Brasil, a Argentina pôde pegar numa medalha de ouro. O assíduo convívio com os grandes times, em Olimpíadas, Copa do Mundo, Grand Prix, não gerou o retorno esperado. Ameaçá-los minimamente ainda é um sonho.

Perspectivas. Nunca a Argentina fez tantos jogos contra equipes de ponta como nos últimos anos. Uma olhada rápida nos placares mostrará que ainda lhe falta muito para atuar em nível médio. Mas há possibilidade de uma inédita passagem para a segunda fase e, para isso, terá de vencer Camarões e México.

Como se classificou. A Argentina ganhou de forma invicta o quadrangular de qualificação, no qual enfrentou Colômbia, Peru e Uruguai. Disputará o certame pela sexta vez.

O comandante. A segunda passagem de Guillermo Orduna, 61, como técnico da seleção completou seis anos – a primeira se deu entre 1991 e 1996. Seu maior êxito foi classificar a Argentina para inédita olimpíada, em 2016.

O time. Na Liga das Nações-2018, Orduna construiu seu sexteto titular com as ponteiras Rodríguez, 22, e Fortuna, 23, a oposta Anahi Tosí, 20, a levantadora Sagardía, 29, e as centrais Lazcano, 29, e Busquets, 29. Lazcano é a capitã, tem passagens pelas ligas italiana e espanhola e foi eleita para o time ideal do último Sul-Americano. Fresco, 27, está de volta e briga por vaga no ataque.

Argentina no GP em 2017 (Reprodução do site da FIVB)

 

Últimas temporadas. O maior momento albiceleste neste ciclo foi a estreia nas Olimpíadas, em 2016. Como o Brasil tinha vaga automática, o principal adversário foi o Peru, vencido por 3 a 0 nas eliminatórias. No Rio, fez cinco jogos e venceu apenas Camarões. Na Copa do Mundo-2015, fez bom trabalho contra Argélia, Quênia, Peru e Cuba e fechou em oitavo. No Sul-Americano, em 2015 e 2017, emperrou no quarto lugar, ficando atrás de Brasil, Peru e Colômbia. Na última edição, só não perdeu para os frágeis times do Chile e da Venezuela. Na Copa Pan-Americana, o bronze de 2015, conquistado em cima de Cuba, foi exceção. Depois, as albicelestes oscilaram do quinto ao nono. No Pan De Toronto, caiu nas quartas diante de Porto Rico. No Grand Prix, entre 2015 e 2017, disputou a divisão intermediária, registrando mais derrotas que triunfos. Em 2018, disputou a Liga das Nações, mas os embates contra as forças do esporte não deixaram boas lembranças: uma vitória, sobre a Coreia do Sul, em 15 jogos, com cinco sets a favor.

Figurante em Mundial. A Argentina disputou cinco edições do Mundial até hoje. A estreia e melhor desempenho datam de 1960. Disputado no Brasil, o torneio teve 10 seleções, e as Panteras terminaram em oitavo, com um triunfo, sobre o Uruguai, em seis jogos. A derrota mais acachapante foi para as polonesas: parciais de 15-0, 15-2 e 15-0. Em 1982, no Peru, a Argentina foi a 18ª entre 23 seleções. Em 1990, 2002 e 2014, voltou para casa com uma vitória apenas, sobre Egito, Alemanha e Tunísia, respectivamente.

Prata sabor ouro na América. A coleção de medalhas da Argentina em Sul-Americanos é recheadíssima: seis pratas e 12 bronzes. Durante anos, o torneio foi polarizado por Brasil e Peru. A primeira final das hermanas aconteceu apenas em 1999. Desde então, esteve em mais cinco, sempre enfrentando o Brasil. Na Copa Pan-Americana, conquistou dois bronzes (2008, 2013 e 2015). No Pan-Americano, o quarto lugar de 1995, em Mar Del Plata, é o melhor retrospecto. Na Copa do Mundo, são cinco participações, não indo além do oitavo lugar.  

Alemanha

Quando sediou o Mundial em 2002, a Alemanha lutava contra a baixa popularidade do vôlei feminino no país. O evento foi sucesso de público e animou muitas jovens a seguirem carreira. Há quatro anos, quando se preparava para o torneio na Itália, a Alemanha era cercada por boas expectativas. A seleção vinha de bons resultados na Europa, granjeava respeito. E até vislumbrava a quebra das marcas, tímidas, da Alemanha Oriental, sua antecessora mais bem-sucedida. Esse passo além para se firmar entre as forças do continente não aconteceu. Mas os esforços continuam.

Perspectivas. A Alemanha, certamente, ficará com uma das quatro vagas para a segunda fase. Na última Liga das Nações, perdeu para Japão e Holanda (1 a 3) e venceu a Argentina (3 a 0). A história deverá se repetir. Contra México e Camarões, entrará com amplo favoritismo. Um lugar no final six foge dos prognósticos mais otimistas.

Como se classificou. A Alemanha não teve trabalho nas eliminatórias europeias. Suas adversárias eram Eslovênia, Portugal, que era a sede, França, Estônia e Finlândia, todas abaixo de seu nível. Venceu as cinco partidas e desperdiçou dois sets. Fará sua 16ª participação.

O comandante. Felix Koslowski, 34, é o caçula entre os treinadores do Mundial. Ele está no cargo desde outubro de 2015, quando substituiu Luciano Pedulla, demitido com apenas seis meses. Entre 2006 e 2013, trabalhou como assistente de Giovanni Guidetti na seleção germânica. Também passou por clubes na Itália. Foi jogador de quadra e de areia.

O time. Com 312 jogos pela seleção, a ponta Brinker, 32, que mudou o sobrenome para Fromm após casamento, segue como referência. Ela e a líbero Dürr, 27, irão para o terceiro Mundial, enquanto a levantadora Hanke, 29, a versátil atacante Lipmann, 24, e a ponta Geerties, 24, para o segundo. O meio de rede deverá ser ocupado por Gründing, 26, e pela novata Schölzel, 20. A antiga capitã Kozuch migrou para o vôlei de praia em 2016.

Alemanha no Europeu-2015 (Reprodução do site da CEV)

 

Últimas temporadas. No Europeu, tanto em 2015 quanto em 2017, a Alemanha empacou nas quartas de final, com derrotas para Turquia (2 a 3) e Azerbaijão (0 a 3), terminando em quinto e sexto, respectivamente. No Grand Prix, ficou a uma vitória de se classificar para o final six em 2015. No ano seguinte, deu vexame, perdendo os nove jogos. Em 2017, foi bronze na segunda divisão. E, em 2018, pela Liga das Nações, fechou em 11º e venceu cinco dos 15 jogos, com destaque para o 3 a 1 sobre o Brasil.

Duas Alemanhas no Mundial. Divididas por um muro e por ideologias antagônicas até o Mundial de 1990, a Alemanha levou duas camisas às quadras, a capitalista, presente em oito edições, e a socialista, que participou de sete. Apesar da frequência maciça, o melhor desempenho foi o quarto lugar do time oriental em 1974, em que, na fase decisiva, disputada em pontos corridos, uma derrota para a Coreia do Sul aterrou as chances do bronze; e em 1986, quando passou pela URSS na primeira fase, mas perdeu para Cuba na semifinal e, depois, para o Peru na disputa do bronze. Já a equipe do Ocidente, na vez em que teve mais time atrás dela, terminou em 14ª entre 24. Desde o entrelaçamento, a Alemanha foi a todos os Mundiais, destacando-se com o quinto lugar de 1994, ocasião em que foi eliminada por Cuba nas quartas. Em 2014, avançou à segunda fase e finalizou em nono.

Prata Olímpica... As principais conquistas do vôlei feminino alemão vieram do time socialista.  A maior delas é a medalha de prata nas Olimpíadas de 1980, em final contra a URSS. Naquele torneio, não estiveram presentes, devido ao boicote do bloco capitalista, o Japão e a Coreia do Sul, que estavam entre os melhores do esporte. A Alemanha Ocidental disputou duas edições, sendo quinta em 1972. Unificada, participou de três, de Atlanta a Atenas. Em 2004, concluiu em sexto após derrota para o Brasil nas quartas.

Na Europa... O time oriental levou dois ouros no Europeu (1983 e 1987), além de quatro pratas, sempre com a URSS como freguês ou carrasco. O do Ocidente não passou do quinto em 1983. No pós-reunificação, a Alemanha tem duas pratas no Europeu, com derrotas para a Sérvia (2 a 3) em 2011 e para a Rússia (1 a 3) em 2013; além de dois bronzes (1991 e 2003). Na Liga Europa, foi campeã em 2013. No Grand Prix, o ápice são dois bronzes, em 2002 e 2009.

Camarões

Camarões vive o melhor momento de sua história no vôlei feminino. Recentemente, sentiu o gostinho de uma olimpíada e estufou o peito para receber um ouro jamais visto no Africano. Em suas bandas, Quênia sempre foi a referência e destroná-lo é uma façanha. A evolução é lenta, mas talvez baste para cansar um pouco os rivais de peso.

Perspectivas. Mesmo com a vivência em grandes competições neste ciclo, Camarões ainda tem objetivos modestos. Se o primeiro triunfo em Mundial vier, a aventura no Japão terá sido proveitosa - a África jamais obteve uma vitória. Mas uma vaga na segunda fase não é improvável. Argentina, como foi visto no Rio, e o México são adversários de seu nível.

Como se classificou. A vitória no Campeonato Africano em 2017 classificou Camarões para seu terceiro Mundial, o segundo consecutivo.

O comandante. Às vésperas do Mundial-2014, Jean-Rene Akono, 49, foi promovido de assistente de Nana Eone a técnico. Como jogador, atuou no vôlei francês, vestiu a camisa da seleção camaronesa em mais de 100 jogos e conquistou ouro no Campeonato Africano de 1989.

O time. As atenções se voltam para dois destaques do último Africano: a MVP Bassoko, 24, ponteira que atua liga francesa, e Koulla, 26, a melhor levantadora. Tchoudjang, 29, é a principal oposta. No meio de rede, está Fotso Mogoung, 31, que se tornou conhecida nos Jogos do Rio ao registrar oito bloqueios em partida contra a Rússia. A líbero Nasser é o desfalque.

Camarões no Grand Prix-2017 (Reprodução do site da FIVB)

 

Últimas temporadas. Em 2016, a seleção camaronesa fez sua estreia em Olimpíadas. Deu trabalho à Rússia e esteve próxima de sua primeira vitória, contra a Argentina, em jogo decidido no tie-break. Em 2017, também debutou no Grand Prix, pela terceira divisão, e venceu três de seis jogos. No mesmo ano, enfim, conquistou o inédito título africano após brecar o hegemônico Quênia em sets diretos, diante de sua torcida. Em 2015, ficara com o bronze.

Em Mundiais... Em 2006, as Leoas começaram sua trajetória em Mundiais. A falta de tarimba as transformou em presas fáceis para Brasil e Estados Unidos, entre outros. Foram cinco derrotas em cinco jogos, sem parciais vencidas. Em 2014, caiu num grupo difícil, com Brasil, Sérvia, Bulgária e Turquia, voltou para casa novamente sem qualquer triunfo, mas arrancou um set do Canadá. Depois de estrear em Olimpíadas e no Grand Prix, as próximas metas são a Copa do Mundo e a Copa dos Campeões.

Ouro na África. No Campeonato Africano, Camarões demorou para subir ao topo do pódio, permanecendo décadas na sombra de Quênia, Egito e Senegal. Antes do ouro de 2017. No máximo, pegara duas medalhas de prata (1999 e 2013), além de seis bronzes.,

México

Há quatro décadas, o México era o dono das Américas do Norte e Central no vôlei feminino. Cuba chegou logo depois, assumindo a hegemonia. Com a ascensão dos EUA e, mais tarde, da República Dominicana, o México acabou esquecido nos confins da memória. Nos últimos anos, tem assanhado um retorno, mas ainda está longe de amedrontar seus vizinhos. Muito longe.

Perspectivas. O sorteio foi amigo do México. Pegará dois times contra os quais entrará em quadra olhando de igual para igual: Camarões e Argentina. Duas vitórias são a senha para a segunda fase e levariam os mexicanos a um lugar entre as 16 melhores seleções do planeta, algo não condizente com a realidade.

Como se classificou. O México aproveitou o exagero de vagas que a Federação Internacional cedeu à NORCECA, que reúne os países centro e norte-americanos. Foram seis, sem contar os Estados Unidos, classificados automaticamente por serem os atuais campeões. Para selar sua sétima ida ao certame, as mexicanas venceram o Grupo C das eliminatórias – e no sufoco. Depois de passar facilmente por Costa Rica e Dominica, fez 3 a 2 sobre Trinidad e Tobago, que recebia os jogos.

O comandante. Quando Jorge Azair migrou para a seleção masculina, em fevereiro de 2016, o cubano Ricardo Naranjo foi promovido de treinador dos times juvenis ao do adulto. Com as meninas, levou o México a um Mundial sub-20, em 2009, e outro sub-18 em 2015.

O time. A versátil atacante Rangel, 25, é a melhor jogadora mexicana e costuma liderar as estatísticas de pontos de sua equipe. Precocemente, com apenas 21 anos, no Mundial-2014, assumiu a braçadeira de capitã. A base é formada ainda pela oposta Carranza, 28, a ponteira Sainz, 22, e a meio de rede Urias, 22.

México feliz após classificação para o Mundial (Reprodução do site da FIVB)

 

Últimas temporadas. O México participou da terceira divisão do Grand Prix entre 2015 e 2017, somando sete vitórias em 18 jogos. No Campeonato da NORCECA, na única edição realizada neste ciclo, em 2015, foi o sétimo de oito países. Nas últimas quatro edições da Copa Pan-Americana, não passou da fase de grupos, terminando em décimo ou 11º. Não disputou os Jogos de Toronto.

Em Mundiais... O México já disputou sete Mundiais, quatro deles de forma consecutiva, entre 1970 e 1982. Na estreia, venceu, entre outros, Holanda e Brasil e terminou em 12º entre 16 times. Em 1974, sediou o torneio e teve sua melhor performance, caindo apenas na segunda fase, depois de vencer Bahamas, EUA e França na primeira. Foi a décima equipe entre 23 concorrentes. Em 2002 e 2006, saiu da competição com a lanterna, não vencendo um jogo sequer. Em 2014, foi a última de seu grupo, mas tirou um set dos Estados Unidos, algo que pode ser considerado uma façanha. Contra a Tailândia, perdeu os três sets pela vantagem mínima.

Pioneira no Norte. Em sua única participação olímpica, 1968, o México jogou em casa e venceu unicamente os EUA, classificando-se em sétimo entre oito equipes. No Grand Prix, integrou o Grupo 3 de 2014 a 2017, jamais atingindo as finais. Nos primeiros campeonatos da NORCECA, em 1969 e 1971, antes de Cuba e EUA estabeleceram uma polarização, o México levou as medalhas de ouro. Depois, subiu ao pódio mais três vezes apenas, a última em 1981, sempre para receber o bronze. As mexicanas também foram as primeiras vencedoras do torneio de vôlei nos Jogos Pan-Americanos, disputados em sua capital, em 1955, e, depois, receberam mais três bronzes. Na Copa Pan-Americana, no máximo, chegaram ao quarto lugar, em 2002, ano da primeira edição, quando os sul-americanos ainda não disputavam.

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