Após um mês da invasão russa, entenda como está a situação do Chelsea a espera de um novo dono
Foto: Divulgação/Chelsea FC

Passado um mês desde que Vladimir Putin ordenou que as tropas russas invadissem a Ucrânia, muitas questões relacionadas ao conflito ainda buscam soluções. Dentre elas, o Chelsea, uma das principais equipes da Inglaterra e atual campeão da Champions League, passa por um momento conturbado de transição.

Já não é mais nenhuma novidade que Roman Abramovich, dono do clube londrino – ou ao menos era até o governo britânico assumir o comando –, recebeu severas sanções vindas dos comandantes do país. Dentre elas, a impossibilidade de obter qualquer lucro financeiro com a venda do clube, já que nas primeiras semanas do conflito Rússia-Ucrânia, o magnata colocou o clube à venda.

Com o que o Chelsea está sofrendo no momento?

Se dentro de campo a equipe londrina ocupa a terceira posição da Premier League, está nas semifinais da FA Cup e nas quartas da Champions League, fora das quatro linhas o assunto é mais delicado.

No início do mês de março, o governo britânico proibiu Roman Abramovich de lucrar com a venda do clube, e passou a intermediar o processo de negociação do clube, tornando-se o responsável pela venda do Chelsea. Dessa forma, a negociação que estava muito bem encaminhada entre ele e o bilionário turco Muhsin Bayrak foi interrompida.

Quanto à venda em si, o maior impacto é que Roman fica impedido de decidir o futuro dono, algo que ele estava avaliando com muito cuidado. E, claro, a queda natural no valor necessário. Nas mãos do governo o Chelsea é um clube under administration, e isso diminui o valor consideravelmente”, comenta o jornalista Tim Langendorf.

O sentimento transmitido pelo jornalista e torcedor do clube fica evidente em partidas no Stamford Bridge, em que muitos torcedores levaram faixas de apoio ao russo, e também como forma de gratidão pelo que ele já entregou.

No momento, os Blues também estão impedidos de negociar novos contratos com atletas, tanto no masculino como feminino, além de impossibilitados de contratarem – mesmo que a janela esteja fechada.

Hoje, Antonio Rüdiger, Andreas Christensen e César Azpilicueta estão em seus últimos meses de contrato. Do trio, algumas fontes afirmam que o dinamarquês já estaria com um pré-contrato assinado para se junto ao Barcelona, e que o espanhol seguiria o mesmo caminho, enquanto o alemão poderia vestir a camisa do Real Madrid.

A verdade é que com essas sanções, o Chelsea não tem como cobrir possíveis ofertas de outros clubes por três de seus grandes jogadores nas últimas temporadas. "Eu tenho muita preocupação nessa transferência, porque estava tudo muito certo. Nesse último título da Champions que muita coisa deu certo, a chegada do [Thomas] Tuchel que ninguém esperava que renderia [tão rápido]. E isso vale muito pelas escolhas do Abramovich, colocar a Marina [Granovskaia]  e o Petr Cech no comando", destaca Alicia Soares, estudante de jornalismo e integrante da página "Blues of Stamford" sobre as possíveis mudanças dentro da estrutura de equipe do Chelsea.

É claro que assim como toda empresa, com a mudança de um dono, os funcionários podem acabar sendo substituídos, principalmente em cargos tão altos como os ocupados por Marina Granovskaia e Petr Cech na diretoria dos Blues. “O risco sempre existe, não só para eles como para outros funcionários. Entretanto, dos compradores mais próximos de chegar a um acordo pelo clube, a grande maioria já se pronunciou publicamente favorável ao trabalho efetuado pelos dois, dando a entender que a decisão caberá a eles”, lembra Langendorf.

A relação Chelsea-Abramovich chega ao fim

Quando falamos em Chelsea Football Club e também na presença de Roman Abramovich como dono dos Blues, é sempre importante pensar que ele não adquiriu um clube do zero e o fez um dos maiores da Inglaterra. 

Quando ele comprou a equipe em junho de 2003 do então proprietário Ken Bates, os londrinos já haviam disputado competições importantes, e também levantado taças de renome. E é claro que o processo melhorou após o aporte financeiro. Foram cinco Premier League, cinco FA Cup, três Copas da Liga, duas Europa League, duas Champions League e um Mundial de Clubes.

Entretanto, o dinheiro do magnata russo já não pingava nas contas de Stamford Bridge há algum tempo. “Desde 2013 Roman Abramovich 'fechou a torneira' e começou o processo para que o clube seguisse com as próprias pernas. A marca do clube se tornou internacionalmente importante nesses 20 anos e as arrecadações já giram entre os maiores do mundo. O Chelsea foi um dos poucos clubes que não teve de recorrer a empréstimos do Governo durante a pandemia, não atrasou nem diminuiu salários. Como todo clube de futebol, o equilíbrio do clube depende muito de uma boa gestão e do alcance de metas desportivas, mas pode-se dizer que o novo proprietário herdará um clube 'pronto', seja como negócio ou como time, bem diferente do que ocorreu com Abramovich em 2003”, lembra o jornalista Tim Langendorf.

Alicia Soares também comenta sobre outras construções muito importantes arquitetadas pelo russo dentro do Chelsea, como o início de um projeto de futebol feminino, que elevou o patamar da equipe inglesa para um dos mais altos na modalidade.

"A minha preocupação é não darem mais essa importância ao futebol feminino, pois é um clube que cresce", conta ao destacar sobre a importância e relevância do clube no momento, além do receio na troca de gestão. Lembrando que na FA Women’s Super League, desde 2014 o Chelsea conquistou quatro vezes a competição e ficou em segundo lugar em outras duas oportunidades.

Agora, a relação entre Roman Abramovich e o Chelsea acabou. A equipe londrina será vendida e o russo não receberá nenhum centavo pela transação. Ainda assim, uma questão financeira fica aberta: o valor que o magnata emprestou ao clube, quem pagará essa conta? “Isso é um mistério. Inicialmente, Abramovich declarou que não cobraria essa dívida (de 1,5bi em libras), mas muito mais do que isso, é preciso saber se o próprio terá direito ao valor, visto que todos seus bens na Inglaterra estão congelados por tempo indeterminado”, comenta Langendorf.

Quais os próximos passos na história do Chelsea?

Como o governo britânico assumiu o poder do Chelsea para efetuar a negociação do clube, são esperadas algumas propostas. Alguns veículos ingleses, como o The Guardian, já noticiam o interesse de magnatas como Nick Candy, do ramo imobiliário, e um consórcio liderado por Todd Boehly e Hansjörg Wyss, esses últimos já sinalizaram com a possibilidade de investir em torno de 2 a 2,5 bilhões de libras, o primeiro ainda estuda uma proposta.

E, nesse período em que o governo espera por propostas, o impasse e a angústia seguem pelo lado azul de Londres. “Como não pode gerar nenhum tipo de renda enquanto pertencente ao russo, fica também impossibilitado de vender ingressos e qualquer outro tipo de produto comercial. Dos quatro patrocinadores principais, apenas um não rompeu seu contrato com o clube. O governo estendeu o prazo para resolução do negócio para dia 18 deste mês. Caso excedido o prazo as sanções podem se tornar mais severas e existe até a possibilidade de que a equipe perca pontos na tabela ou não consiga encerrar a temporada por impossibilidade de arcar com os custos das partidas” comenta Tim Langerdorf (sobre novas sanções ou posicionamentos sobre a venda, nada havia sido finalizado até o encerramento desta matéria).

O governo britânico também está prestes a receber uma proposta vinda da Arábia Saudita pela compra do clube. Ao que tudo indica, o Saudi Media Group, comandado por Mohamed Alkhereji, torcedor do clube, está finalizando uma investida.

Para os torcedores dos Blues, fica a expectativa para que a situação se resolva o mais depressa possível. O Chelsea está classificado para as semifinais da FA Cup em que enfrentará o Crystal Palace, e também nas quartas da Champions League, onde o adversário será o Real Madrid. Fica também o sentimento de esperança que nenhum jogador importante no atual elenco acabe deixando Stamford Bridge.

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